Após 29 temporadas consecutivas na elite do futebol alemão, o Wolfsburgo foi despromovido à Segunda Divisão. A queda dos lobos foi selada no play-off contra o Paderborn, encerrando um ciclo que começou com a sua primeira subida em 1997 e que os tornou num histórico da Bundesliga.
A equipa da Volkswagen, que pertencia ao restrito grupo de clubes com mais épocas seguidas no principal escalão, apenas atrás de Bayern (61), Borussia Dortmund (50) e Bayer Leverkusen (47), não resistiu a uma época desastrosa. A derrota no prolongamento frente ao Paderborn, com um golo de Laurin Curda aos 100 minutos, ditou o desfecho trágico.
O jogo da segunda mão do play-off começou bem para o Wolfsburgo, com um golo madrugador de Pejcinovic aos 3 minutos. Contudo, a expulsão de Maehle aos 14 minutos mudou o rumo dos acontecimentos. O Paderborn empatou ainda na primeira parte por Filip Bilbija e, no prolongamento, consumou a reviravolta, depois de um nulo na primeira mão.
Recorde-se que o Wolfsburgo viveu momentos de glória, nomeadamente a conquista inédita da Bundesliga na temporada 2008/09. Sob o comando de Felix Magath e com o antigo internacional português Ricardo Costa, uma equipa liderada pelo trio ofensivo composto por Edin Dzeko, Zvjezdan Misimović e Grafite marcou 80 golos no campeonato.
Mais tarde, na época 2014/15, com Dieter Hecking como treinador, o clube voltou a brilhar: foi vice-campeão, venceu a Taça da Alemanha frente ao Borussia Dortmund e conquistou a Supertaça contra o Bayern nos penáltis. Nessa era, jogadores como De Bruyne, Draxler, Perisic e Ricardo Rodríguez passaram pelo Volkswagen Arena.
Ex-Benfica Draxler ao serviço do Wolfsburgo frente ao Real Madrid
A nível europeu, o Wolfsburgo também deixou a sua marca. Alcançou os quartos de final da Liga Europa em 2009/10 e 2014/15. Já na Liga dos Campeões de 2015/16, esteve perto das meias-finais, chegando a vencer o Real Madrid por 2-0 na primeira mão dos quartos de final, com golos de Ricardo Rodríguez e Maximilian Arnold, antes de ser eliminado em Espanha por um hat-trick de Cristiano Ronaldo.
Nos últimos anos, porém, a equipa habituou-se a lutar pela manutenção, culminando numa sucessão de treinadores como Mark van Bommel, Niko Kovac e Ralph Hasenhuttl. Em março, com a equipa em penúltimo lugar, o clube recorreu a Dieter Hecking, o treinador do sucesso de 2015, para tentar a salvação.
«A situação não é boa, senão eu não estaria aqui», admitiu Hecking no seu regresso. Apesar de ter evitado a descida direta com uma vitória na última jornada sobre o St. Pauli, a equipa não conseguiu superar o play-off. Edin Dzeko, herói do título de 2009, já antevia o pior.
«É uma situação muito difícil e triste. O Wolfsburgo não merece isto. Olhas para a equipa e pensas que é impossível que algo assim aconteça, mas o futebol é muito rápido», confessou numa entrevista ao jornal MARCA.
Após a descida, Hecking assumiu a responsabilidade: «Sou o treinador e deveria ter assegurado a permanência. Não conseguimos. A dor é imensa. Tenho sempre vontade de trabalhar.»
A despromoção terá consequências financeiras graves. O clube, que possuía o oitavo plantel mais valioso da Bundesliga, verá o seu orçamento anual reduzido de 80 para 55 milhões de euros, de acordo com o Bild. O Wolfsburgo emitiu um comunicado no qual enalteceu a dedicação dos seus adeptos, descrevendo o seu apoio como «inestimável» e «de primeira classe», digno da Bundesliga.
Die Enttäuschung und der Schmerz nach unserem Abstieg sitzen tief – bei unseren Fans, bei allen Mitarbeitenden und natürlich auch innerhalb der Mannschaft.
Gerade in solchen Momenten gehören Kritik, Wut und Diskussionen zum Fußball dazu. Was Joakim Maehle aktuell jedoch an… pic.twitter.com/rG1cAigE4L
— VfL Wolfsburg (@VfL_Wolfsburg) May 26, 2026











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