Mal a seleção alemã havia sido eliminada da Copa do Mundo de 2026, derrotada pelo Paraguai (3 a 4) nos pênaltis após um empate de 1 a 1 no tempo regulamentar, quando um novo escândalo explodiu nos bastidores da Federação Alemã de Futebol.
Ingressos gratuitos, estadias em hotéis de luxo e benefícios suspeitos colocaram a sede da Federação Alemã de Futebol sob o microscópio dos investigadores, em uma investigação que se estende por várias cidades alemãs e ameaça a confiança do público no esporte.
Na quarta-feira, investigadores alemães realizaram amplas operações de busca que abrangeram a sede da Federação Alemã de Futebol (DFB) e vários escritórios administrativos municipais, no âmbito de uma investigação relacionada a possíveis irregularidades na distribuição de ingressos e pacotes de hospitalidade durante o Campeonato Europeu de 2024, sediado pela Alemanha.
Um comunicado conjunto do Ministério Público de Bochum e do Departamento de Investigação Criminal do estado da Renânia do Norte-Vestfália informou que as buscas ocorreram em vários locais no país, para investigar “benefícios não autorizados, incluindo a assistência a uma partida internacional de futebol”.
O jornal alemão “Bild” destacou que as investigações envolvem um cidadão alemão e outro francês e dizem respeito a convites para hotéis e milhares de ingressos que, suspeita-se, tenham sido alocados ilegalmente a convidados de destaque antes do início do campeonato, realizado em dez cidades alemãs.
Segundo o jornal, um dos suspeitos é um ex-funcionário municipal da cidade de Gelsenkirchen, uma das sedes do torneio, e é suspeito de ter recebido ingressos, benefícios de viagem e hospedagem em hotéis no valor de 2.400 euros, o que equivale a 2.736 dólares americanos.
Por sua vez, a Federação Alemã de Futebol confirmou, em comunicado oficial, que sua sede foi alvo de uma busca, esclarecendo: “A investigação não diz respeito à Federação Alemã de Futebol como organização, nem a nenhum de seus funcionários ou dirigentes. A Federação participa desses procedimentos apenas como testemunha e se comprometeu a cooperar plenamente com as autoridades”.
Em tom firme, Herbert Rohl, ministro do Interior do estado da Renânia do Norte-Vestfália, comentou: “Um ingresso de futebol não faz parte do salário; qualquer pessoa do setor público que solicitar suborno receberá nossa visita”.
Ele acrescentou: “Grandes eventos, como o Campeonato Europeu, dependem da confiança do público no esporte e nas autoridades que o organizam. Não permitiremos que essa confiança seja abalada por causa de alguns convites e ingressos”.
Até o momento, a União Europeia de Futebol (UEFA) não se pronunciou sobre o caso, e os promotores públicos de Bochum se abstiveram de fornecer mais detalhes.
Esses desdobramentos ocorrem em um momento delicado para o futebol alemão, que vive uma semana agitada de questionamentos após a surpreendente eliminação da seleção da Copa do Mundo pelas mãos do Paraguai, o que provocou indignação popular, agravada pelas declarações do chanceler Friedrich Merz, que elogiou a seleção apesar da derrota.











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