Senegal era último da Copa com restrição de entrada nos EUA


Além do país com 73.96% dos vistos negados em 2025, Costa do Marfim, Haiti e Irã estão na lista

O secretário de Departamento de Segurança Interna dos EUA (Department of Homeland Security, ou DHS, na sigla em inglês), Markwayne Mullin, disse ter dançado de alegria ao ser confirmada a eliminação do Irã, país com o qual os americanos negociam paz, mas estão em guerra. Mas o Irã não foi o único com o qual o atual governo do país-sede mantém relações pouco amigáveis a deixar a competição. Entre as seleções com origem em nações com restrições de viagem total ou parcial aos EUA, Senegal era a última a tentar sobreviver até as oitavas de final.

E, como o Irã, viu a vaga escapar de forma dramática. No que talvez tenha sido o jogo mais eletrizante desta edição do Mundial, o Senegal controlou o jogo até os minutos finais, vencendo por 2 a 0 até os 40 minutos do segundo tempo. Permitiu o empate e, na prorrogação, a virada com um pênalti já nos instantes finais. O Irã, por sua vez, teve um gol anulado por impedimento milimétrico no empate com o Egito, chegou a comemorar a classificação com um gol de Mahrez, da Argélia, sobre a Áustria, mas viu os europeus marcarem também nos instantes finais do jogo para selar o empate que classificava argelinos e austríacos.

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Oficialmente, no site do Congresso americano, são 38 países, mais a Autoridade Palestina, com restrições oficiais de viagem. Essas medidas foram impostas em dezembro do ano passado. Se o tema for imigração, o veto se estende a cidadãos de 75 nacionalidades, incluindo o Brasil. E não foram poucos os relatos neste Mundial de extremo rigor das autoridades americanas na avaliação de entrada até de profissionais que participariam da competição, como o melhor árbitro africano em 2025, o somali Omar Artan.

Senegaleses assistem ao jogo contra a Bélgica em Fan Zone em Dakar (Foto: Agência EFE/Folhapress)

As seleções que disputavam a Copa com seus cidadãos totalmente proibidos de obterem vistos de entrada nos EUA eram Haiti e Irã. A Somália, de Artan, está na mesma condição. Costa do Marfim e Senegal enfrentavam restrições parciais. Contudo, houve casos relacionados a países que não figuram nesta lista, como o Iraque, que teve seu fotógrafo oficial barrado e o jogador que fez o gol de classificação para a Copa interrogado por horas.

Altos índices de rejeição de vistos foram registrados para diversos países. No início de junho, a BBC publicou um levantamento mostrando 11 participantes do Mundial — Senegal, RD Congo, Gana, Irã, Jordânia, Cabo Verde, Uzbequistão, Argélia, Haiti, Egito e Equador — com rejeição superior a 40% dos pedidos.

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Os dados são públicos e estão disponíveis na página do Departamento de Estado dos EUA, e os mais recentes se referem a 2025. Lá consta negativa a 73.96% dos vistos para senegaleses no ano passado. O caso mais emblemático do rigor com a seleção do país foram as imagens que circularam pela internet com a delegação passando por uma minuciosa revista ainda ao lado do avião, na pista de pouso.

Pela legislação dos EUA, estão listadas as seguintes exceções para as restrições de entrada no site do Deparamento de Estado:

– Residentes permanentes legais; pessoas com dupla nacionalidade que viajam com passaportes de países não designados.
– Viajantes com vistos diplomáticos; atletas, treinadores, equipes de apoio e familiares diretos que viajam para a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos ou outros grandes eventos esportivos.
– Vistos de Imigrante Especial (SIVs) para funcionários do governo dos EUA.
– Vistos de imigrante para minorias étnicas e religiosas que sofrem perseguição no Irã.

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Seleção de Senegal é revistada ainda na pista de pouso (Reprodução)
Seleção de Senegal é revistada ainda na pista de pouso (Reprodução)

‘Não se vê isso acontecendo com outras delegações’

Organizações de Direitos Humanos, como a Human Rights Watch, criticaram as políticas do governo Donald Trump em relação a imigrantes. A diretora de iniciativas globais da HRW, Minky Worden, relatou ao Lance! casos como os de uma ativista iraniana acompanhada pela organização, que esteve nas duas últimas Copas do Mundo, e foi barrada.

— Não se vê isso acontecendo com outras delegações. Eu acho que, se eles estivessem fazendo a mesma coisa com a Noruega e a Bélgica, então não teria nada a falar, mas não vimos o mesmo tratamento. Omar Artan foi selecionado pela Fifa para fazer um trabalho. E a Fifa tem a responsabilidade de acolher o mundo na Copa. É claro que o mundo não é acolhido nesta Copa. Há muitos exemplos de fãs que foram tirados. Há muitos exemplos de famílias também. E de pessoas que iriam trabalhar — analisou Worden.

Mullin, do DHS, por sua vez, não fez nenhuma questão de esconder sua satisfação com a eliminação dos iranianos. Em entrevista ao Sport Business Journal, ele afirmou:

— Estou feliz que terminaram a participação e não voltarão. Fiquei muito feliz de conseguir cancelar os vistos deles e dizer que poderiam deixar o território dos Estados Unidos. Talvez eu tenha até cantado uma música ou duas, ou até feito uma dança feliz — declarou.

Os iranianos, por outro lado, reclamaram de falta de isonomia esportiva e o técnico chegou a declarar que era a seleção “mais maltratada” da competição. A delegação teve de mudar de local de treinos para o México e cancelar amistosos preparatórios com a impossibilidade de passar a noite nos EUA. O principal jogador da equipe, Mehdi Taremi, afirmou que a Copa foi um “desastre” e disse que, da sua perspectiva, parecia que os organizadores queriam sua equipe fora do torneio.

Sem Senegal na disputa, nenhum país com esse mesmo nível de restrição continua na Copa. Dos 11 com rejeição acima dos 40%, mas que não figuram nas listas de restrição total ou parcial para viagens de curta duração, Cabo Verde, Egito, Argélia e Gana ainda tentam passar para as oitavas de final. Todas elas entrarão em campo nesta sexta-feira.

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