FBI investiga movimentações financeiras da Federação Argentina durante a Copa do Mundo


Enquanto a seleção argentina segue viva na disputa pelo bicampeonato da Copa do Mundo de 2026, uma investigação paralela coloca a Associação do Futebol Argentino (AFA) no centro das atenções fora dos gramados. Segundo o jornal argentino La Nación, promotores federais e agentes do FBI iniciaram uma apuração sobre movimentações financeiras da entidade em território americano, investigando possíveis crimes como lavagem de dinheiro e fraude.

De acordo com a publicação, o objetivo das autoridades é reconstruir como a AFA movimentou centenas de milhões de dólares pelo sistema bancário dos Estados Unidos e verificar se parte dessas operações violou a legislação americana.

No centro da investigação está a empresa TourProdEnter LLC, ligada ao produtor teatral Javier Faroni e à empresária Erica Gillette. Segundo documentos bancários obtidos pelo La Nación, a companhia administrou contratos comerciais internacionais da AFA, incluindo acordos com marcas como Adidas e Warner, e movimentou ao menos US$ 260 milhões por contas abertas em cinco instituições financeiras americanas: Citibank, Synovus, Bank of America, JP Morgan e PNC Bank.

Os investigadores afirmam que apenas parte desse montante possui despesas operacionais claramente identificadas. Além disso, outros US$ 57 milhões teriam sido direcionados a diferentes empresas, cujas origens e destinos ainda estão sendo analisados pelas autoridades.

A investigação começou a ganhar força ao longo de 2025 e atualmente é conduzida pelos promotores federais Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger, do Distrito Sul da Flórida, todos especializados em crimes financeiros.

Um dos depoimentos considerados mais importantes foi o do empresário Guillermo Tofoni, autor da denúncia que originou o caso e crítico da estrutura financeira utilizada pela AFA nos Estados Unidos. Segundo o La Nación, o Departamento de Justiça americano também avalia convocar ex-integrantes do governo do presidente Javier Milei para prestar esclarecimentos.

A investigação é resultado de um alerta enviado às autoridades americanas em setembro de 2024 pelo então Ministério da Segurança da Argentina, comandado por Patricia Bullrich. Na ocasião, o FBI avaliou que não havia elementos suficientes para abrir um inquérito criminal.

O cenário mudou no início de 2026, quando novas denúncias e documentos bancários reforçaram as suspeitas sobre a movimentação financeira da entidade. A coincidência temporal chama a atenção: enquanto a investigação avança nos Estados Unidos, o presidente da AFA, Claudio “Chiqui” Tapia, acompanha de perto a campanha da Argentina na Copa do Mundo.

Segundo o La Nación, Tapia foi autorizado pela Justiça argentina a viajar para o Mundial após prestar uma fiança milionária em outro processo que responde em seu país. Nesse caso, ele é investigado por suposta retenção indevida de contribuições previdenciárias e impostos.

Até o momento, nem a AFA nem Claudio Tapia se manifestaram oficialmente sobre a investigação conduzida pelas autoridades americanas. A apuração permanece em fase preliminar, e não há, até agora, denúncia formal ou acusação criminal apresentada contra a entidade ou seus dirigentes.



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