Calculadora interativa revela o verdadeiro peso dos imigrantes nas seleções de futebol


Em um cenário global onde o debate sobre imigração frequentemente divide opiniões, o projeto online The Immigrant Factor propõe uma nova perspectiva: traduzir as consequências da xenofobia para a linguagem universal do futebol de quatro em quatro anos. O site funciona como um experimento interativo que mostra o quanto a força das seleções nacionais desabaria se elas não pudessem contar com jogadores imigrantes — incluindo nascidos no exterior e atletas de segunda geração.

A plataforma se baseia em um número central: a “força do elenco” (squad strength), calculada pela média de avaliação (rating) dos 26 jogadores convocados por cada país, com dados extraídos do banco de dados do jogo FC 26.

Ao selecionar a opção “Sem imigrantes” (Without migrants), o usuário vê a migração ser desfeita na simulação: jogadores com raízes estrangeiras são retirados das seleções que os absorveram e substituídos por atletas locais comuns. Esses craques “retornam”, então, às seleções de seus países ancestrais, ocupando o lugar de jogadores mais fracos. O recálculo é imediato e revela o impacto — seleções europeias ricas perdem força de forma drástica, enquanto times formados por suas próprias diásporas mantêm ou até ganham qualidade.

O Brasil na métrica do site

Na configuração original da plataforma, que contabiliza o mundo real com a presença dos imigrantes, o Brasil aparece na 3ª posição do ranking geral, com força média de 81,8 — atrás apenas da Espanha (2ª, com 82,8) e da França, dona do elenco mais forte do torneio, com 83,2. No recorte de dados usado pela plataforma, a seleção brasileira figura com o status de “eliminada” (eliminated) do torneio.

Desenvolvido por Artur Scartazzini, Diego Vieira e Felipe Libano, com apoio da agência R/GA, o projeto faz questão de esclarecer que não se trata de um estudo científico nem de uma previsão esportiva precisa. O objetivo é ilustrativo: evidenciar o custo real da xenofobia em um grande torneio.

Ao esvaziar a força de seleções como França, Alemanha, Inglaterra e Suíça de sua chamada “influência estrangeira”, a plataforma deixa uma mensagem clara: o imigrante não é o que enfraquece o time — muitas vezes, ele é o próprio time, e a principal razão pela qual essas nações podem sonhar com um título mundial.



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