A Copa do Mundo começou com diversos idiomas nos bancos de reservas. Das 48 seleções do torneio, 27 eram comandadas por técnicos estrangeiros, enquanto 21 tinham treinadores nascidos no próprio país. À medida que o mata-mata avançou, no entanto, esse cenário foi sendo desmontado até chegar ao inverso, com os gringos agora sendo minoria no torneio — são apenas dois entre os oito comandantes nas quartas de final.
Considerando Mohamed Ouahbi, nascido na Bélgica, como marroquino pelo vínculo de origem e pela federação que representa, agora restam somente Thomas Tuchel, alemão à frente da Inglaterra, e Rudi Garcia, francês no comando da Bélgica, como técnicos estrangeiros no Mundial. Já os nacionais estão bem representados com Lionel Scaloni (Argentina), Didier Deschamps (França), Murat Yakin (Suíça), Stale Solbakken (Noruega), Luis de la Fuente (Espanha) e Mohamed Ouahbi (Marrocos).
A mudança do cenário não significa, por si só, que técnicos nacionais sejam mais eficientes do que estrangeiros, ou represente alguma resposta definitiva para o futebol, como aponta Gian Oddi, comentarista dos canais ESPN. No entanto, há, sim, vantagens para os treinadores que conhecem bem o país da seleção que dirige.
— Acho positivo pelo fato de entender, de repente, o que os torcedores querem daquele país, o que a imprensa vai cobrar e como ela pode ajudar ou atrapalhar o seu trabalho, e a maneira como se pode comunicar. Tudo isso, se você conhece a cultura, talvez possa agir melhor em cada momento que tiver que se manifestar. Também ajuda, claro, a conhecer melhor todos os jogadores, as suas origens e como cada um já jogou — avalia o jornalista.
Por outro lado, segundo Gian Oddi, pode ser mais difícil para os técnicos estrangeiros ter de lidarem com determinados tipos de pressão popular. Ele cita, por exemplo, como o italiano Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, pode supostamente ter cedido ao clamor da torcida pela convocação de Neymar para a Copa do Mundo.
— O técnico quando vai trabalhar fora do seu país e vê toda uma população clamando por um nome, eu acho que talvez seja mais difícil para o estrangeiro dizer não. Ele pode pensar: acabei de chegar, eu não sou desse país, o povo todo quer ver esse cara (Neymar) na seleção e eu vou dizer não? Eu vou negar essa satisfação a um povo inteiro? Então acho que pode ser uma possibilidade, que um estrangeiro trabalhando em outro país talvez seja mais suscetível a clamores populares.
Com Inglaterra e Bélgica em chaves distintas no mata-mata, a Copa ainda pode ter um duelo de técnicos estrangeiros na final, mesmo que agora estejam em menor número. Para isso, a seleção de Tuchel precisa passar pela Noruega, nas quartas, e depois pelo vencedor de Argentina x Suíça na semifinal. Já o time de Rudi Garcia encara a Espanha e na sequência pega quem passar de França x Marrocos.











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