A outra face do Haiti: como o futebol ajuda o país em crise – Observador


Subindo na hierarquia do futebol, Frantzdy jogou pelo Mouscron, da Bélgica, pelo Guingamp, da França, pelo Maccabi Haifa, de Israel (com quem disputou a Liga dos Campeões), e pelo AEK Atenas, onde ainda está — apesar de ter sido emprestado ao Rizespor da Turquia.

Tal como o avançado, também o defesa Wilguens Paugain, de 25 anos, enfrentou a realidade dura do país. No entanto, não foi por muito tempo, tendo sido adotado por uma família francesa aos cinco anos com o irmão mais novo. “Tivemos sorte porque não nos separaram”, confessou ao El Mundo o jogador do Zulte Waregem.

Devido à atual onda de violência que isolou o Haiti do resto do mundo, cortando acessos a portos e aeroportos, Paugain nunca mais pôde regressar à terra natal. “O país não é seguro. (…) Enfrentamos seleções com estádios cheios quando jogam em casa e nós não temos essa possibilidade”.

No começo, Paugain jogava ténis: “Os meus pais adotivos viam que eu tinha muita energia e era uma forma de me acalmar”. Mas como na escola todos os amigos andavam no futebol, ele insistiu com a família até finalmente se juntar a equipas, com cerca de 13 anos.

O desporto teve um grande impacto na sua vida, mas Wilguens acredita que o Mundial pode ainda mudar a visão global sobre o seu país. “Quando ouvem falar do Haiti, as pessoas não sabem nada sobre ele ou só conhecem os problemas. Isto pode mudar a nossa imagem; as pessoas podem pensar em coisas boas, como o futebol, e não apenas na situação difícil que enfrentamos”, afirmou.





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