Brasil presente: na cidade de Inglaterra x Argentina, exposição destaca Pelé e a Democracia Corinthiana; fotos


Se ainda estivesse de pé na Copa do Mundo, a seleção brasileira teria seu próximo desafio em Atlanta, que receberá a semifinal entre Inglaterra e Argentina, nesta quarta. Ainda assim, o Brasil se faz presente por lá. Berço de Martin Luther King e, naturalmente, com forte vocação para a pauta dos direitos humanos, a cidade abriga uma exposição sobre ativismo no futebol que reserva dois destaques verde-amarelos: um, de Pelé, e o outro, da Democracia Corinthiana.

O movimento marcado pelos rostos de Sócrates, Casagrande, Zenon e Wladimir, que durou de 1982 a 1984, é apresentado ao público como “uma provocação silenciosa num país sem eleições presidenciais diretas”. Isso porque, em plena Ditadura Militar, tudo no Corinthians era decidido pelo voto interno: dos treinos às contratações. Mas seu lado barulhento também está presente, com destaque para capas de revistas estampadas pelos atletas e a participação na campanha “Diretas Já”.

Pelé, por sua vez, ganhou um espaço por sua força simbólica. A exposição destaca que, como maior estrela do futebol, o atacante viajou com o Santos por países da África e da Ásia recém-independentes após décadas de colonialismo: “Para milhões de fãs, ele representou possibilidade, orgulho e o reconhecimento mundial da capacidade negra”.

Intitulada “O esporte do povo: futebol e direitos humanos”, a exposição ocupa uma das salas do Centro Nacional dos Direitos Civis e Humanos, referência na preservação da memória da luta por igualdade no país. Lançado em junho, na esteira da estreia da Copa, o trabalho destaca diferentes iniciativas ao longo da história que fizeram do esporte uma plataforma para dar voz ou empoderar quem precisa.

Está lá, por exemplo, o C.D. Euzkadi, time basco que deixou a Espanha durante a Guerra Civil para chamar a atenção do mundo e que acabou jogando a liga mexicana. A exposição também presta homenagem a Didier Drogba e a seus companheiros da seleção da Costa do Marfim, que, após conquistarem vaga na Copa de 2006, fizeram um apelo emocionado de dentro do vestiário para que governo e rebeldes largassem as armas. A iniciativa gerou um cessar-fogo no conflito que, àquela altura, já havia matado 4 mil.

— O futebol tem o poder de chegar a todos os países do mundo. E é muito importante quando alguém usa essa força para dar voz a lutas — comentou a americana Ryan Herbert.

A adolescente, que gostou especialmente de ver a camisa usada pelos jogadores da Premier League, em 2020, em apoio ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), é fã de Vini Jr. Ele está presente na sessão de camisas autografadas por nomes de grande influência, ao lado de Ronladinho Gaúcho, Zidane, o próprio Pelé, entre outros.

— Fiz questão de tirar foto ao lado da camisa dele. Quando ele é atacado nos campos, é como se fosse com um de nós. E ele não se cala — contou a jovem, com brilho nos olhos.



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