Colômbia 1986: a Copa do Mundo que nunca aconteceu


Nos anos 1980, porém, estudos de universidades colombianas mostraram que os investimentos necessários para colocar o Mundial de pé eram imensos. Somente uma reforma tributária levantaria essa dinheirama, o que deixou diversos setores da sociedade aflitos.

Aumentar impostos em um cenário de tensão política e agitação social é sempre tenso. Quando os benefícios socioeconômicos para o futuro não ficam claros então, aí é catastrófico.

Poucos dias antes do início da Copa de 1982, na Espanha, a imprensa colombiana entrevistou o presidente da Fifa, João Havelange. O mandatário insistiu que o país sul-americano deveria cumprir o combinado, parar de desperdiçar tempo e seguir o que fizeram México e Argentina antes, que enfrentaram um cronograma mais curto e conseguiram sediar a Copa.

Nos bastidores da Fifa, os escassos sinais de avanço da organização do Mundial de 1986 acenderam o alerta. “Começaram a fazer contatos discretos, para não dizer reuniões quase clandestinas, com comitês, empresas ou pessoas de outros países que demonstravam interesse em sediar a Copa”, escreveu Serna-Dimas.

Ao longo do Mundial na Espanha, as suspeitas da Fifa cresceram à medida que o comitê colombiano evitava contato e demonstrava desinteresse com os organizadores espanhóis, a fim de trocar figurinhas e aprender algo com a Copa em andamento. Mas nada.

No fim do Mundial, no dia em que a Itália se sagrou campeã, começou o prazo definitivo. Dali a quatro meses, a Colômbia deveria apresentar os informes técnicos, financeiros e logísticos do próximo torneio.



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