É difícil imaginar alguém que não tenha aquele amigo secador que, chateado pela eliminação da seleção brasileira e pelo avanço argentino na Copa, dispare: “Mas também, a Argentina só pegou time ruim”. Por se tratar de um Mundial, é claro que há uma régua mínima em relação ao nível técnico das 48 equipes classificadas. Por outro lado, o Favoritômetro do GLOBO confirma a tese de que os hermanos tiveram o caminho mais tranquilo até aqui entre os quatro semifinalistas.
A ferramenta, que mede as forças das seleções participantes a partir do nível dos clubes e ligas dos jogadores convocados, mostra que a soma das pontuações dos adversários argentinos é a menor do que as de Inglaterra, França e Espanha. A Fúria, por sua vez, teve o caminho mais desafiador até aqui, segundo os números.
A sorte argentina já começou no sorteio para a fase de grupos. Áustria, Argélia e Jordânia formavam um trio de enfrentamentos inferior aos das outras três atuais candidatas ao título. A Argentina se aproveitou disso e controlou o desgaste de Lionel Messi. Como a equipe já estava classificada com a primeira colocação do Grupo J após a segunda rodada, o técnico Lionel Scaloni optou por começar a partida contra a Jordânia com o craque no banco. Deu tempo de ele entrar no segundo tempo e ainda marcar um gol de falta.
França, Espanha e Inglaterra, por sua vez, não tiveram a mesma folga. Com duas vitórias nos dois primeiros jogos, os franceses já até estavam classificados, mas, como a Noruega também havia vencido as primeiras partidas, os Bleus encararam o time que eliminou o Brasil com força total para garantir o primeiro lugar do grupo (e meteram 4 a 1). Espanha e Inglaterra, por tropeços nas duas primeiras rodadas, viveram situação mais desconfortável e precisavam vencer na última para garantir a classificação e a primeira colocação de seus grupos.
A sorte da Argentina prosseguiu no mata-mata, aponta o Favoritômetro. Muito também porque Portugal, Colômbia e Uruguai ficaram abaixo da expectativa, caíram cedo e abriram o caminho. Ainda que tenham enfrentado seleções de menor nível técnico, porém, os argentinos não tiveram vida fácil. Correram risco de ser eliminados por Cabo Verde (3 a 2 na prorrogação), precisaram arrancar uma virada heroica sobre o Egito e não jogavam bem contra a Suíça até serem “salvos” pela expulsão de Embolo.
Já a Espanha teve o caminho mais complicado, segundo o Favoritômetro: era a única campeã a enfrentar outra campeã na fase de grupos (Uruguai). No mata-mata, encarou Áustria, Portugal e Bélgica. Mesmo assim, tem passado com certa facilidade. Tanto que, em seis jogos, sofreu apenas um gol. Dona de um futebol que pode não ser tão atraente, mas que é inegavelmente funcional, a Roja se valeu da força defensiva do coletivo e do poder de controle de jogo pensado pelo técnico Luis de la Fuente.
França e Inglaterra aparecem na zona intermediária em relação aos adversários enfrentados. Com uma geração supertalentosa, liderada por Mbappé, Dembélé e Olise, os franceses não têm tomado conhecimento dos adversários, com destaque para a vitória com autoridade sobre a emergente força Marrocos. Os ingleses, por sua vez, tiveram que suar nos confrontos contra RD Congo, México e Noruega.
Embora umas seleções tenham tido caminhos mais fáceis que outras até aqui, uma coisa é certa: com quatro campeãs mundiais nas semifinais, quem levantar a taça no dia 19 de julho terá superado duas grandes forças do futebol mundial nos dois jogos finais, conquistando o título de forma merecida.











Leave a Reply