Ex-Benfica brilhou com Marco Silva e aponta: «É o homem certo para o clube»


Aquele Fábio Carvalho que deixou Jurgen Klopp absolutamente rendido, ao ponto de o treinador alemão ter feito questão de o levar para o Liverpool foi moldado por Marco Silva.

O futebol de rua que caracteriza o internacional sub-21 português praticamente nasceu com ele. Mas foi o agora treinador do Benfica que o domesticou e o fez subir para outro nível. Os 11 golos e oito assistências em 38 jogos que convenceram o Liverpool ajudam a prová-lo.

Agora, em conversa com A BOLA, o atual jogador do Brentford – que está na fase final da recuperação de uma lesão grave que o afastou dos relvados na última época – confirma que o treinador português foi um dos que conseguiram tirar melhor rendimento do seu futebol e só tem elogios para o homem que Rui Costa escolheu para tentar dar um novo rumo aos encarnados.

Fábio Carvalho com a camisola do Brentford – Foto: IMAGO

«Para ser honesto, não fiquei surpreendido por vê-lo assinar pelo Benfica porque sei as ambições que ele tinha de ganhar títulos e jogar a Champions. Acho que ele vai encaixar muito bem e o Benfica tem um treinador muito especial. Este ano não estão na Champions, aposto que vão estar lá na próxima época», arrisca.

O extremo que até passou pela formação do Benfica aos 8 anos, antes de se mudar com os pais para Inglaterra, enaltece ainda que Marco Silva foi sustentando o nome na Premier League e que até podia ter dado o salto para um clube maior mais cedo.

«Já desde o ano passado que havia rumores de que ele podia sair do Fulham. É um grande, grande treinador e na época anterior até se falou que podia ir para o Manchester United, ou o Tottenham», nota.

Marco Silva a dar indicações a Fábio Carvalho, nos tempos de ambos no Fulham – Foto: IMAGO

Promessa de futebol de ataque!

Fábio Carvalho, que nunca escondeu ser adepto das águias, acredita, também como adepto, que a escolha não podia ter sido melhor. «Acho que é o homem certo para o clube. É um treinador que exige muito dos jogadores. Tem uma ideia de jogo muito positiva, que as pessoas gostam de ver. E o Benfica precisa disso», defende.

De resto, o extremo desvaloriza quem aponta como ponto negativo o facto de o Fulham não lutar por títulos, ao contrário do que o Benfica terá de fazer. Até porque quando apanhou os londrinos no segundo escalão do futebol inglês e precisou de assumir o estatuto em campo, os Cottagers foram campeões, com o melhor ataque, com 106 golos marcados, mais 32 (!!) do que o segundo melhor.

«Ele mostrou uma ideia positiva não só no Championship, mas também na Premier League, onde manteve muito do plano que mostrara no primeiro ano no Fulham, apesar de ter jogado um pouco também no contra-ataque. Mas não baixou linhas e por isso é que o clube ficou estes anos todos na Premier League, apesar de antes do Marco chegar ser um clube que subia e descia constantemente», nota, reforçando a ideia de um futebol ofensivo.

«A equipa com Marco Silva vai querer ter mais a bola para atacar com eficácia. Ele não quer apenas ter a posse por ter. E via-se naquele ano no Championship que trabalhávamos bem a bola. Por isso, agora irá com o mesmo pensamento para o melhor clube de Portugal. E com os jogadores de qualidade que tem, de certeza que vai querer controlar o jogo e atacar muito», acredita

«Todos contam e isso é arma poderosa»

Fábio Carvalho recorda que o técnico, de 49 anos, tinha grande facilidade em criar um ambiente leve no plantel. Mas quando chegava a hora de trabalhar não baixava os níveis de exigência.

«Ele demonstra quer ganhar, mesmo nos treinos. Se estivéssemos na palhaçada, ele dava-nos logo uma dura. Cobrava muito», confidencia.

Mas se a cobrança existe, o jovem extremo de 23 anos dá uma receita simples para qualquer jogador conseguir ter sucesso sob orientação de Marco Silva.

«É confiar nas ideias e no processo dele, com paciência, porque ele exige muito de todo o plantel e não só do onze inicial», introduz, sublinhando que essa é um dos pontos fortes do técnico.

Marco Silva e Sudakov – Foto: SL Benfica

«Uma arma poderosa dele é que trata todos por igual. E com isso consegue que todos se sintam parte, mesmo aqueles que não estão a jogar tanto. Exige o mesmo de todos, sejam jovens, ou mais experientes. Há treinadores que dão mais atenção aos titulares e depois os outros ficam um pouco mais de parte. Eu já passei por isso noutros clubes e é a maior diferença que vejo na maneira como ele trabalha. E acho que é a forma de manter o plantel feliz e unido», aponta.

Outra coisa que Fábio Carvalho destaca do método de Marco Silva é uma particularidade que coloca em prática nos treinos.

«Cada treino era como se fosse um jogo. E fazíamos muitos exercícios de 11 para 11, que é uma forma de estarmos mais preparados para o que acontecer nos jogos. Trabalhamos por setores, mas há sempre muito 11 para 11. No início da época era duro, mas depois ganhámos o Championship, por isso é sinal de que deu certo», conclui, numa gargalhada.

Fábio Carvalho com a camisola do Brentford – Foto: IMAGO



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