Senador da Itália propõe intervenção na liga de clubes e na federação


Logo da Lega Serie A (Foto: Reprodução)

Logo da Lega Serie A (Foto: Reprodução)

 

O senador italiano Paolo Marcheschi, do Fratelli d’Italia, partido do governo, apresentou esboço de projeto de lei que propõe vincular parte da distribuição de direitos televisivos da primeira divisão, a Serie A, a critérios de sustentabilidade financeira, formação e infraestrutura. A informação é do Calcio e Finanza.

 

A proposta reserva 15% das receitas audiovisuais da competição a esses critérios estruturais — distribuídos entre formação de jogadores (50%), sustentabilidade financeira (30%), uso de atletas italianos (10%) e qualidade de infraestrutura (10%).

 

Além da redistribuição dos direitos, a proposta institui uma taxa de 2% sobre apostas em futebol canalizada para a FIGC a partir de 2027, com destinação mínima de 50% a formação e infraestrutura, 30% a programas contra dependência de apostas e 20% ao futebol feminino e amador. Ela também estabelece um teto para honorários de agentes: 5% do salário se a comissão for paga pelo atleta, 7%, se paga pelo clube.

A lógica defendida pelo senador é criar incentivos para clubes que formam jogadores, mantêm as contas equilibradas e investem em infraestrutura, que passariam a receber uma fatia maior dos direitos, independentemente da posição na tabela.

 

O texto ainda não tem respaldo do Ministério do Esporte, nem calendário de votação definido. Também há incertezas em relação ao peso de cada critério no cálculo.

 

O futebol italiano acumula déficits crônicos, depende da receita de televisão, concentrada nos maiores clubes, e tem um dos mercados de agentes mais caros da Europa. A não classificação da seleção nacional para a Copa do Mundo pela terceira edição consecutiva agrava o cenário, ao gerar pressão por reformas estruturais.

 

O projeto surge diante da falta de autorregulação dos próprios clubes e da liga. Ele inclui ainda a possibilidade de comissariamento extraordinário da FIGC por 24 meses para acelerar reformas estruturais — na prática, mecanismo formal de intervenção governamental, caso a entidade não avance por conta própria.

 

A Fifa proíbe interferência de governos em federações e já suspendeu países por isso, o que torna a ideia sensível. A cláusula precisaria funcionar mais como pressão política sobre a federação do que como medida com perspectiva real de aplicação.



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