“Valzer delle panchine”, ou seja, a valsa dos bancos de reservas: é assim que, na Itália, sempre se chamou o fenômeno da eterna rotação de treinadores. Tradicionalmente, a valsa começa no final de abril, quando a temporada chega ao fim e os primeiros cargos de treinador para a próxima temporada estão em aberto.
Em campo: os treinadores que já estão sem clube em abril, aos quais se juntam outros colegas ao longo da primavera. O objetivo: conseguir um lugar em algum lugar até o final do verão. E como muitos clubes italianos trocam de treinador no verão e os mesmos candidatos de sempre disputam as vagas, isso significa para os treinadores: uma vez dentro da rotação, não dá para sair tão cedo.
É um ecossistema que prefere se alimentar de si mesmo e no qual os clubes servem aos seus tifosi, com bela regularidade, a “minestra riscaldata”, a sopa requentada. Como, por exemplo, Max Allegri, que, após duas tentativas no AC Milan — a última delas fracassou na última rodada da temporada passada — e outras tantas na Juventus, foi agora apresentado ao SSC Nápoles para lá praticar seu futebol defensivo e sem criatividade até que o presidente se canse disso.
Ou Maurizio Sarri, que, após passagens mais ou menos bem-sucedidas pelo Nápoles, Chelsea, Juventus e Lazio de Roma (dois mandatos com um intervalo de pouco mais de um ano), agora foi contratado pela Atalanta de Bérgamo com todo o seu “estilo Sarri” e poderá provar pela enésima vez que também os técnicos italianos são capazes de pensar ofensivamente e apostar no jogo de passes curtos.
É bastante raro que alguém como Amorim (mais recentemente no Manchester United) ou mesmo o ítalo-suábio Domenico Tedesco (na Bundesliga pelo Schalke e pelo RB Leipzig, mais recentemente no Fenerbahçe de Istambul), que assumiu o comando do FC Bolonha, chegue pela primeira vez à Série A. O Calcio prefere se cozinhar no próprio caldo (e assim vai à ruína).











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