Artilheiro da Copa de 1998: Davor Šuker, da Croácia


Relembre a histórica campanha de Davor Šuker na Copa do Mundo de 1998.

A décima sexta edição da Copa do Mundo, realizada na França em 1998, inaugurou a era moderna da competição ao expandir o formato definitivo para 32 seleções participantes. O torneio espalhou-se por diversas e belas cidades francesas, culminando em um espetáculo global que coroou os donos da casa com um título inédito. No entanto, em meio aos gigantes tradicionais e ao brilho do Brasil de Ronaldo Fenômeno, o torneio foi tomado de assalto por uma nação estreante que logo conquistou a simpatia de todo o planeta. O Lance! relembra a jornada do Artilheiro da Copa de 1998: Davor Šuker, da Croácia.

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Disputando a sua primeira Copa do Mundo como um país independente, após a tensa fragmentação da antiga Iugoslávia e a dolorosa Guerra de Independência, a seleção da Croácia desembarcou em solo francês com o imenso desejo de exibir a sua verdadeira identidade. A famosa e inconfundível camisa quadriculada em vermelho e branco vestia uma geração dourada de atletas muito talentosos, que atuavam nas maiores ligas da Europa e queriam fazer história defendendo a sua nova bandeira.

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Sob o comando tático do experiente e carismático técnico Miroslav Blažević, a equipe croata apresentava um meio-campo magistral, regido por craques de extrema inteligência como Zvonimir Boban e Robert Prosinečki. A engrenagem cadenciava o jogo com precisão e envolvia os adversários, mas precisava essencialmente de um homem de referência no setor ofensivo para transformar o domínio territorial e a criatividade tática em bolas nas redes.

O responsável por essa dura missão ostentava a cobiçada camisa 9 e exibia um estilo de jogo que misturava a frieza de um autêntico matador com a elegância de um clássico camisa 10. Dono de uma perna esquerda mágica, ele não era o tipo de centroavante que dependia de extrema força física ou de velocidades avassaladoras. Seu grande diferencial era o toque refinadíssimo na bola, sendo capaz de encobrir goleiros com muita naturalidade e finalizar de forma cirúrgica.

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O dono dessa canhota espetacular era Davor Šuker, o ídolo nacional que se eternizou nos livros esportivos como o grande Artilheiro da Copa de 1998. Desfilando um futebol de altíssimo nível técnico ao longo de toda a competição na França, o letal atacante anotou seis gols cruciais. Sua genialidade inquestionável não apenas lhe garantiu a Chuteira de Ouro isolada, mas também conduziu a jovem e surpreendente nação croata à histórica e inesquecível conquista da medalha de bronze.

Artilheiro da Copa de 1998: Davor Šuker, da Croácia

O faro apurado de Šuker na primeira fase do torneio

A jornada mágica de Davor Šuker começou logo na partida de estreia da Croácia pelo Grupo H, diante da simpática seleção da Jamaica. Em um jogo animado que terminou com a vitória croata por 3 a 1, o camisa 9 deixou sua primeira marca no torneio anotando o terceiro gol da equipe com um belo chute de canhota, mostrando que a pontaria estava calibrada para os grandes palcos.

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No segundo compromisso, contra o Japão, a Croácia encontrou um adversário muito bem fechado na defesa e enfrentou extremas dificuldades para abrir o placar debaixo de um calor intenso. Aos 32 minutos do segundo tempo, a classe de Šuker salvou a nação: ele recebeu um cruzamento na área, dominou e fuzilou para as redes, garantindo a magra, mas essencial, vitória por 1 a 0. A Croácia fecharia a fase de grupos perdendo para a forte Argentina por 1 a 0, único jogo em que o artilheiro passou em branco.

A letalidade europeia nas fases eliminatórias

Nas oitavas de final, a Croácia encarou a perigosa seleção da Romênia, que havia surpreendido na fase de grupos. O duelo tático foi decidido nos detalhes e na frieza do grande artilheiro. Nos acréscimos do primeiro tempo, Šuker chamou a responsabilidade e cobrou um pênalti decisivo, precisando bater duas vezes (por invasão na primeira cobrança). Com precisão cirúrgica em ambas, ele cravou a vitória por 1 a 0 e colocou os croatas entre os oito melhores do mundo.

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O grande épico da campanha croata ocorreu nas quartas de final, diante da temida e multicampeã Alemanha. Em uma atuação coletiva irretocável que chocou o planeta, a Croácia venceu por sonoros 3 a 0. Davor Šuker coroou o passeio histórico marcando um golaço nos minutos finais: ele limpou a pesada marcação alemã com extrema categoria dentro da área e finalizou cruzado, humilhando os então favoritos e carimbando o passaporte para a semifinal.

O susto nos donos da casa e a glória do bronze

A aguardada semifinal colocou a Croácia diante da fortíssima França, dona da casa. Logo no início do segundo tempo, Šuker silenciou o lotado Stade de France ao receber um passe genial de Aljoša Asanović e tocar por baixo do lendário goleiro Fabien Barthez, abrindo o placar para os croatas. O sonho da final escapou graças a uma noite inesperadamente inspirada do defensor francês Lilian Thuram, que marcou os dois gols da virada francesa por 2 a 1, impondo a eliminação croata.

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Mesmo fora da grande decisão, a Croácia entrou em campo sedenta pela medalha de bronze contra a poderosa Holanda, uma das seleções que apresentava o melhor futebol daquele torneio. Na disputa pelo terceiro lugar, Šuker sacramentou a sua imortalidade. Com o jogo empatado, ele marcou o gol da vitória por 2 a 1 com um chute cruzado perfeito e indefensável. O tento não apenas garantiu o pódio histórico para o seu recém-nascido país, mas o levou à marca de seis gols, consolidando, sem contestações, sua gloriosa Chuteira de Ouro na Copa do Mundo.



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