O futuro do capitão, o titular à espreita e as cores… do Sporting: tudo o que disse Marco Silva


Marco Silva realizou a primeira conferência de imprensa pré-jogo como treinador do Benfica, na véspera da visita ao St. Gallen (19h), a contar para a primeira mão da 2.ª pré-eliminatória da UEFA Europa League.

-Considera importante deixar uma mensagem forte nesta primeira mão, apesar de haver uma segunda no Estádio da Luz?

-Consideramos importante começar da melhor forma e ser competitivos o suficiente, atendendo ao momento da temporada e à pré-época atípica que temos tido por começarmos a competir bem cedo e pela questão do Mundial também. Sermos competitivos e estarmos na próxima eliminatória é o nosso objetivo. Sabemos que há uma eliminatória com dois jogos. Queremos e ambicionamos um bom jogo e um bom resultado amanhã. Esse é o objetivo, sabendo sempre que teremos o jogo no Estádio da Luz na segunda mão.

– Passou a mensagem de que não pode haver displicência no início da época nem se pode pensar que esta eliminatória já está ultrapassada?

-Isso não existe para nós e para quem anda no futebol há tanto tempo. Sabemos como se trabalha praticamente em todos os países, independentemente da grandeza ou não dos clubes. Isso não existe da nossa parte enquanto Benfica, grupo de trabalho e staff de apoio aos jogadores. Nem um segundo pensamos nesse aspeto, mesmo em relação ao possível favoritismo. Nós sabemos a grandeza do clube que representamos e, no papel, há muita gente que pode ir por esse caminho. Qualquer tipo de percentagem de favoritismo prova-se dentro do campo e não antecipadamente, não pensado que será mais ou menos difícil. Vamos defrontar um adversário que veio de uma temporada muito boa, da forma como competiu no campeonato, na forma como competiu na taça também. Essa é a razão de estar a disputar esta eliminatória com o Benfica. Temos de ser sérios e profissionais, como é a nossa obrigação.

Qualquer tipo de percentagem de favoritismo prova-se dentro do campo

-Sente que o António Silva está totalmente comprometido com o Benfica para o jogo de amanhã?

-Se o António não estivesse com a cabeça diariamente naquilo que é o treino e naquilo que representa ser atleta do Benfica, não estaria sequer nos jogos de pré-temporada. Se esteve e se eu o utilizei nos jogos de pré-temporada, é porque os sinais que ele me foi dando, dia após dia no treino, era que estava em condições de jogar e treinar no dia seguinte. Algum atleta que não esteja ou dê sinais diariamente que não está comprometido com aquilo que é a sua profissão e com o o clube que representa, neste caso o Sport Lisboa e Benfica, não pode estar sequer no treino seguinte, quanto mais no jogo.

– O facto do mercado ainda estar a decorrer e de o Benfica ter as portas de saída e de entrada abertas é mais uma dificuldade para gerir neste início de época?

-Sim, mas não é só com o Benfica. A grande diferença aqui é que estamos a 22 de julho e vamos competir, o que não é muito normal, não é muito habitual naquilo que é a pré-temporada de um clube como o Benfica. Essa é a única diferença porque saídas e entradas faladas, rumores, vendas ou aquisições de atletas, acaba por ser um processo natural numa pré-temporada da maioria dos clubes de futebol. No nosso caso, os treinadores preferem sempre que tudo aconteça muito rápido, preferem sempre ter o plantel formado e todos os jogadores para começar a trabalhar no primeiro dia da pré-temporada. É quase impossível que isso aconteça a nível mundial. Para nós, este ano, foi ainda mais diferente pelos atletas que estiveram no Campeonato do Mundo e que vão chegando a conta-gotas para nós. É a única grande diferença neste momento em relação àquilo que é estarmos a competir ou irmos começar a competir com todas estas questões de possíveis saídas. Como o presidente falou, são entradas que ainda irão acontecer no plantel.

– A seguir ao jogo com o Flamengo disse que precisava de reforços. Tomás Araújo tem poucos dias de treino, mas foi convocado, Leandro Barreiro está lesionado. Considerando as limitações do plantel e os jogadores que chegaram tarde esperava ter mais reforços já nesta altura?

-Não vou entrar por essas questões. Temos o plantel que temos neste momento, com os jogadores a chegar a conta-gotas. Posso acrescentar também a questão do Dedic. São atletas que estão connosco porque foram atletas titulares do Benfica, fizeram parte do plantel no ano passado, conhecem bem o clube, conhecem bem a importância destes tipos de jogos também. E devido ao número de jogadores na convocatória, era importante eles estarem. Não estão em condições de começar o jogo amanhã. Estão a ganhar o ritmo que é necessário para poderem estar e começarem a participar mais intensamente naquilo que são os nossos treinos diários e naquilo que nós precisamos para preparar os jogadores da melhor forma. Em relação aos reforços, não irei fazer nenhum comentário. O foco está total naquilo que é o jogo de amanhã, a importância do jogo de amanhã. Teremos muito tempo para falar sobre isso durante o próximo mês e meio.

-O Manu Silva está na pole position para ocupar a vaga aberta pela ausência do Barreiro?

-Essa é daquelas questões que desta vez não será muito difícil para vocês. As opções não são muitas para uma vaga que nós não esperávamos, mas pode sempre acontecer no futebol. Um atleta [Barreiro] que normalmente está sempre presente, que não tem um passado muito grande de lesões. Teve uma doença um pouco diferente após o jogo de última sexta-feira [contra o Villarreal], no princípio da semana não se sentiu muito bem. É uma baixa para nós, atendendo até ao número limitado de soluções que temos na zona do meio-campo. É sempre uma oportunidade para alguém que irá entrar na equipa. É nestes momentos que se vê claramente a capacidade que têm para agarrar a oportunidade. Iremos com certeza entrar com onze. É um cliché mas é a realidade e esperemos que o jogador que entre no onze dê a resposta que tem que dar. Eu acredito muito que irá dar. Amanhã veremos.

– O que é o que o preocupa no St. Gallen?

-Não o que me preocupa, é aquilo reconhecemos como alguns pontos fortes que o adversário tem. Naturalmente teremos de ter atenção e sermos o mais consistentes possíveis nos momentos em que o adversário nos vai tentar ferir. Uma equipa física, que gosta de pressionar o campo todo, que leva o jogo para muitos duelos individuais, para muita marcação individual no momento em que não tem bola e sempre muito direta quando começa a preparar os seus ataques. Procura sempre muito o jogo direto, joga sempre com uma dupla de avançados a procurar sempre a profundidade. Temos de estar sempre bem atentos a esse momento e naturalmente, com bola, teremos de explorar e tentar impor o nosso jogo. De certeza que o jogo irá começar com uma equipa a tentar pressionar-nos no campo todo. É uma das grandes características do nosso adversário. Temos de demonstrar capacidade para bater essa primeira pressão do adversário que será forte e a capacidade de resolver problemas não só coletivamente, mas individualmente também.

-De acordo com as últimas notícias, será mais ou menos 50-50 em termos de adeptos no estádio. O quão importante seria entrar bem nesta época e conseguir uma vitória para alimentar esta onda encarnada?

-É sempre muito importante. Vamos fazer o primeiro jogo oficial. Se já é importante ganhar na pré-temporada na nossa dimensão, imagine-se o primeiro jogo oficial da temporada. Não sendo no Estádio da Luz, se nos pedissem para indicarmos um país para jogarmos fora, este será com certeza um deles por aquilo que representa para o Benfica, para o povo português que aqui está e que amanhã, naturalmente, não só daqui. mas de outros países bem perto, estará connosco a apoiar. Será muito importante para começarmos com o pé direito e o apoio deles será sempre fundamental, como tem sido e como será, porque são a alma do Benfica, são aquilo que representa os valores do Benfica.

-Qual é o maior risco para o Benfica sendo o favorito?

-Não vejo que haja risco. Há uma eliminatória para ser disputada. Nós queremos e ambicionamos muito estar na próxima eliminatória e teremos de fazer o nosso trabalho. Respeitamos muito o nosso adversário, não vamos na teoria do favoritismo, é algo em que nós não falamos, é algo que não passa pela nossa cabeça. Nem tentamos entrar por aí com os jogadores. Eles sabem claramente a importância o jogo tem para nós, com toda a seriedade com que o temos vindo a preparar. Respeitamos muito qualquer adversário que defrontamos e amanhã não fugirá à regra. A melhor forma de nos respeitarmos e ao clube que representamos é mostrarmos todo o respeito para com o nosso adversário e para as as potencialidades que também têm, independentemente de podermos ser os favoritos pela dimensão que temos enquanto clube.

-O facto do Sporting ter as mesmas cores do St. Gallen desperta algum sentimento especial?

-Nada disso, não é por aí que o jogo terá um sentimento diferente para nós. Para nós é o importante o adversário que temos pela frente. Não precisamos de procurar algumas coincidências com outros adversários e rivais que temos para nos dar a motivação que precisamos para este jogo.

  -Como se sente por suceder a José Mourinho?

-Sinto-me como treinador do Benfica e a preparar o jogo de amanhã.



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