Exclusivo com Lescott: A nova era no Manchester City e a hipótese Bellingham em Inglaterra


O antigo defesa do Manchester City, Joleon Lescott, falou abertamente antes do início da nova época, que está agora a apenas um mês de distância.

Com o fim do Mundial, as atenções voltam ao futebol de clubes, já que as equipas iniciam a sua preparação de pré-época para a nova temporada, que começa dentro de apenas um mês.

Em declarações exclusivas ao Tribal Football, parceiro do Flashscore, através do Unibet Casino, Lescott falou primeiro sobre Jude Bellingham, que se tornou o melhor marcador inglês numa única edição do Mundial após o seu golo frente à França.

A estrela do Real Madrid tornou-se o primeiro inglês a marcar sete golos numa só edição do Mundial, ultrapassando Harry Kane e Gary Lineker. Poderá o jogador de 23 anos transferir-se para a Premier League? Lescott diz que é pouco provável que o Real Madrid o deixe sair.

“Bellingham? Não acredito que o Real Madrid o venda”

– Jude Bellingham foi uma das estrelas do Mundial, vê-lo-ia a jogar na Premier League no futuro?

– É possível que ele queira isso. Mas acho que não será o mesmo para o Real Madrid. Acho que todos reconhecem o que ele é como jogador, quem é como pessoa e o seu estatuto no mundo do futebol. Falamos de Galáticos e de alguém desse calibre. Não só como jogador, e considero-o um jogador excecional, mas pelo seu estatuto. Jude Bellingham é um Galático.

Simplesmente não vejo um cenário em que o Real Madrid diga: “Já não te queremos, podes sair”. Não vejo isso a acontecer. Não vão deixar o contrato dele terminar porque pagaram muito dinheiro por ele, mesmo que agora pareça uma pechincha. Portanto, para um clube da Premier League o querer comprar, estamos a falar de mais de 200 milhões de libras (235 milhões de euros). Mesmo assim, não acredito que o Real Madrid o venda.

Forma de Bellingham
Forma de BellinghamFlashscore

– Acha que o Manchester City poderia tentar contratar Bellingham? Ele e Erling Haaland parecem ser bastante próximos. Até que ponto as amizades influenciam grandes transferências? Poderá Haaland convencer Bellingham a mudar-se?

– Não penso que os jogadores tenham assim tanto peso nos seus clubes. É verdade que ambos gostariam de jogar juntos e ambos os clubes quereriam contar com ambos os jogadores. Isso é um facto. Não sei se as amizades podem influenciar transferências desse tipo. Sim, por vezes acontece, mas não a esse nível. Esse é o nível mais alto, com as maiores exigências.

O Manchester City, que quer vencer e igualar o Real Madrid na Liga dos Campeões, venderia provavelmente o melhor marcador de sempre ao rival? Não vejo isso a acontecer tão cedo.

No futebol nunca se pode dizer nunca, obviamente, mas não creio que a amizade deles seja suficiente para que algum deles saia das suas equipas só porque são amigos.

O Jude pode ter convencido o Haaland e o Haaland pode ter convencido o Jude, mas os clubes é que têm de ser convencidos. A importância desse jogador tem de diminuir muito para o clube querer vendê-lo. Para isso acontecer, significa que provavelmente já não está a render no clube. E então, porque é que o outro clube o iria querer? Há tantos fatores que não vejo isso a acontecer tão cedo.

Maresca foi nomeado treinador do City com um contrato de três anos, sucedendo a Pep Guardiola após uma década ao comando, durante a qual conquistou impressionantes 20 troféus importantes, incluindo 6 campeonatos, 3 Taças de Inglaterra e a Liga dos Campeões.

O italiano tem um enorme desafio pela frente, talvez o maior do futebol mundial, e Lescott acredita que o antigo treinador do Chelsea não deve afastar-se muito das táticas de Guardiola, pois em equipa que ganha não se mexe.

– Acha que Enzo Maresca precisa de tentar copiar o estilo e as táticas de Guardiola para ter sucesso?

– Acho que o Maresca deve ajustar um pouco, e penso que o vai fazer. Novamente, esse ajuste pode passar por mudanças de jogadores, em termos de onde jogam ou onde lhes é pedido para jogar. Mas o sistema não está quebrado, pois não?

O Manchester City tem sido a equipa mais competitiva nos últimos 10 ou 15 anos. Queremos mesmo que o Maresca chegue e faça mudanças radicais? Não vai agradar a todos, independentemente da decisão que tome, mas tenho a certeza de que há provavelmente mais jogadores do que se pensa entusiasmados por trabalhar com ele devido a possíveis mudanças posicionais e às oportunidades que vão surgir.

Portanto, sim, estou entusiasmado. Acho que o Pep e o clube criaram uma cultura vencedora, independentemente de quem seja o treinador. Eles não vão olhar para isto e pensar: “Isto não é o Pep”. Vão olhar e pensar: “Isto é uma oportunidade para voltar a ganhar a liga e mostrar o quão bons somos como equipa”.

– A paciência é pouca no futebol, especialmente na era moderna. Quanto tempo acha que o clube deve dar a Maresca antes de avaliar o seu projeto?

– Penso que a direção terá muito mais paciência do que os adeptos. Qualquer direção de qualquer clube terá mais paciência do que a massa adepta. Acho que estamos a ver isso agora, com algumas pessoas a dizerem que o selecionador de Inglaterra devia ser despedido. Acho que isso acontece em qualquer equipa. Em fases da época passada, os adeptos do Arsenal pediram a saída do Arteta. Não me surpreenderia se, após alguns maus resultados, os adeptos começassem a sugerir isso. Mas duvido que seja esse o caso com a direção.

Não me lembro de o Manchester City despedir um treinador nos últimos 13 ou 14 anos, desde (Roberto) Mancini. Não creio que o clube esteja interessado em fazer mudanças drásticas desse género. Têm um plano. O plano tem sido muito bem-sucedido ao longo do tempo e tenho a certeza de que o tempo dado ao Enzo faz parte desse plano.

– Se o City não vencer a Premier League na próxima época, consideraria isso uma desilusão ou algo natural por ter um novo treinador?

– Não, definitivamente não é essa a expectativa. Acho que seria uma desilusão, mas não por causa do novo treinador. Seria porque o Manchester City espera sempre ganhar troféus. Quando o Pep não o conseguiu há uns anos, foi visto como algo negativo. No que diz respeito ao clube querer vencer, isso não vai mudar, independentemente de quem seja o treinador. Mas só querer ganhar troféus não lhes dá direito divino. O Manchester City tem de ir para o campo e conquistar o direito de vencer esses troféus na próxima época.

Pode o Manchester City competir com o campeão Arsenal?

O Arsenal sagrou-se campeão da Premier League pela primeira vez desde os Invencíveis de Arsène Wenger em 2004, numa campanha incrível sob o comando de Mikel Arteta na época passada.

O City terminou a 7 pontos dos Gunners, tendo concedido mais oito golos do que o rival direto, que perdeu apenas cinco jogos. Lescott acredita que o Arsenal é o favorito para a nova época, mesmo com a contratação de destaque do City, Elliot Anderson, a ser integrado na equipa.

– Como pode o City competir com o Arsenal na próxima época? O que tem de fazer de diferente?

– Diria que o Manchester City precisa de ser mais consistente, porque acho que é a consistência que te faz ganhar o título. Isso não significa que tenha de haver uma grande diferença de qualidade, porque o Manchester City esteve sempre na luta até ao fim da época.

Mas, sim, o Arsenal deve ser o favorito na próxima época. Em primeiro lugar, porque é o campeão, e sempre acreditei que o campeão deve ser considerado favorito, mas também, se olharmos para outros fatores, os candidatos são o Liverpool, o Chelsea, o City e potencialmente o Manchester United. Todos têm um novo fator no clube, seja um novo treinador ou o regresso à Liga dos Campeões.

O Arsenal tem um plantel habituado a estar lá e a jogar junto. Têm um treinador que está lá há muitos anos. Esses jogadores do Arsenal já estão habituados ao calendário. Os métodos de treino não mudaram, por isso ele vai estar atento a isso. Esse é provavelmente um dos fatores mais importantes que passa despercebido, o calendário e a forma como os treinadores trabalham. Já para o Chelsea e o Liverpool, especialmente, vai demorar algum tempo a adaptarem-se aos novos métodos de treino dos seus treinadores.

Obviamente, o Manchester United já está habituado à forma como o Michael Carrick treina, mas agora há um elemento extra em termos de rendimento a outro nível, provavelmente superior ao da Premier League em termos de qualidade. Existem fatores a que todas as outras equipas têm de se adaptar e que o Arsenal não tem, e isso faz do Arsenal o favorito.

– Quão importante será Elliot Anderson na próxima época? Os adeptos devem estar entusiasmados com a nova contratação de 130 milhões de euros? Acha que ele já justificou o valor pago?

– Não acho que algum jogador deva justificar, ou justifique, o seu valor enquanto joga pela seleção, porque são exigências diferentes. Sempre acreditei que, quando um jogador se transfere, é preciso olhar para o que ele vale para o clube que deixa. Com isto quero dizer que, se o Anderson não estivesse no Forest na época passada, provavelmente desciam de divisão. E isso custaria quanto? 150 milhões de libras? Portanto, para o Forest, o Anderson vale 150 milhões. Pode não ser o mesmo para o Manchester City e isso acontece com outros jogadores que contrataram no passado.

Disse o mesmo sobre o Jack Grealish. O Jack manteve o Aston Villa na Premier League durante duas épocas. Por isso, quando o Manchester City o compra por 100 milhões, ele vale pelo menos 100 milhões para o Aston Villa. É isso que temos de considerar. Devemos estar entusiasmados como adeptos do Manchester City? Ele é um bom jogador, sim. É alguém que joga com paixão e entusiasma. Quanto maior o jogo, mais qualidade mostra.



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