Era o dia 10 de julho de 2016. O Stade de France enchia-se de adeptos que torciam pelas cores de Portugal, com a certeza de que tínhamos chegado longe, mas que era apenas o início.
O jogo começou, a bola rolou, e durante o tempo regular, tudo estava por decidir. A esperança permanecia viva. Éder entrou em campo com a força de 10 milhões às costas. Não foi preciso muito tempo para a bola encontrar o pé do número 9 e voar certeira até ao fundo da baliza de Hugo Lloris, fazendo explodir o grito de milhões de portugueses. 109 minutos depois do apito inicial, a esperança transbordava.
Foi há 10 anos. Um momento marcante até para quem não vê futebol, mas se lembra exatamente do sítio onde estava quando se ouviu o apito final seguido de “somos campeões europeus”.
Alguns dos heróis de França continuam a escrever páginas no futebol. Outros escolheram um caminho diferente, mas sempre com um olhar discreto sobre a seleção nacional de hoje.
Afinal, onde estão os campeões?
Em 2016, Fernando Santos fez a convocatória brilhante que elevou Portugal a um dos patamares mais altos do futebol. Mas passados 10 anos, onde estão os campeões? (ver fotogaleria)
Cristiano Ronaldo: Tinha 31 anos quando conquistou o “título de sonho”. Marcou a última partida do Euro2016 depois de ter saído de campo em lágrimas devido a uma lesão. Aos 41 anos, foi o único campeão europeu a disputar o Mundial 2026, tendo assumido este como o seu último campeonato do mundo.
Éder: Conhecido como o herói do Europeu 2016, tinha 28 anos quando fez história. Terminou a carreira em 2022, fez parte da direção da FPF e mais recentemente tem sido comentador desportivo.
Ricardo Quaresma: Jogou nos sete jogos do europeu. Aos 42 anos tem participado em jogos e torneios de “lendas”, e mais recentemente apareceu como comentador da LiveModeTV para o Mundial 2026.
Nani: Tinha 29 anos no Euro2016 e era conhecido como a dupla de Cristiano Ronaldo. Hoje, com 39 anos, voltou recentemente às quatro linhas, como jogador do Aqtobe, no Cazaquistão.
João Mário: Com 23 anos na altura, jogou os sete jogos do Euro2016. Com 33 anos, esteve a jogar na Grécia, no AEK de Atenas, como empréstimo do Besiktas.
Vieirinha: Foi titular na fase de grupos em 2016. Encerrou a carreira no ano passado, mas ficou como diretor do PAOK clube, na Grécia.
João Moutinho: Com 29 anos, foi dele o passe para Éder que marcou o golo decisivo. Faz 40 anos este ano, mas prepara-se para uma nova época ao serviço do SC Braga.
William Carvalho: Tinha 24 anos no Euro 2016. Esteve no Pachuca, no México, mas rescindiu contrato em abril. A última vez que jogou pela seleção foi em 2022.
Danilo: Começou o Euro 2016 como titular. Aos 34 anos, está na Arábia Saudita, no Al Itthiad e não jogou mais na seleção desde 2024.
Renato Sanches: Considerado o jovem estrela no Euro 2016, com 18 anos, conquistou Portugal ao ter marcado o golo do empate frente à Polónia. Agora com 28 anos, o PSG cedeu-o ao grego Panathinaikos.
André Gomes: Foi titular até aos quartos de final, mas uma lesão trocou-lhe as voltas. Aos 32 anos, representa agora o norte-americano Columbus Crew.
Rafa Silva: Com 23 anos, fez apenas um jogo no Euro2016, tendo entrado ao minuto 89. Voltou em janeiro para o Benfica, mas tem renunciado à seleção desde 2022.
Adrien Silva: Terminou com grande protagonismo no Europeu 2016. Terminou a carreira no ano passado, aos 37 anos, após ter representado o Dubai United.
Pepe: Tinha 33 anos no Euro2016. Foi eleito Homem do Jogo na final da competição frente à França. Terminou a carreira em 2024, mas continua a jogar futebol nos “jogos de lendas”. Foi convidado para fazer parte da equipa técnica de Jorge Jesus, novo selecionador nacional, mas recusou o convite.
Raphael Guerreiro: Nascido em França, tinha 22 anos quando jogou no Stade de France. Esteve os últimos três anos no Bayern de Munique, na Alemanha. Tem renunciado à seleção.
Bruno Alves: Tinha 34 anos quando foi campeão europeu, embora apenas tenha jogado por uma lesão de Pepe. Terminou a carreira em 2022, mas manteve-se no desporto como Diretor Técnico do Rio Ave.
José Fonte: Em 2016, tinha 32 anos. Terminou a carreira no passado mês de maio após ter sido um alto reforço do Casa Pia.
Eliseu: Era suplente de Raphael Guerreiro, e ainda fez dois jogos no Euro2016. Deixou de jogar em 2018.
Ricardo Carvalho: Com 38 anos no Euro2016, Ricardo Carvalho encerrou a carreira pouco tempo depois do título. Esteve no Mundial2026 como adjunto do selecionador Roberto Martínez.
Cédric Soares: Lateral-direito da seleção, conquistou a titularidade após a fase de grupos. Está no São Paulo desde 2025, mas está de saída do clube brasileiro. Não joga por Portugal desde 2021.
Anthony Lopes: Embora não tenha defendido a baliza em nenhum jogo do Euro 2016, celebrou com a seleção a vitória de Portugal. Joga no clube francês Nantes, agora com 35 anos.
Eduardo: Foi o terceiro guarda-redes convocado por Fernando Santos, mas acabou por não jogar. Com 43 anos, é treinador de guarda-redes do SC Braga.
Rui Patrício: Tinha 28 anos no Euro2016. Terminou a carreira em 2025, depois de ter vestido a camisola do Sporting, Wolverhampton, Roma, Atalanta e Al Ain. Despediu-se com 108 internacionalizações.
Fernando Santos: O selecionador com mais títulos por Portugal, levou milhões à loucura com a vitória no europeu. Deixou em 2025 o comando técnico da seleção do Azerbeijão.
O que mudou dentro da seleção?
Depois da saída de Fernando Santos, em 2022, foi Roberto Martínez quem o foi substituir. Ao comando da seleção desde 2023, o técnico espanhol levou Portugal aos quartos de final do Euro 2024, onde foram eliminados por França nas grandes penalidades.
Já no Mundial 2026, depois da eliminação da equipa das quinas nos oitavos de final, frente a Espanha, Roberto Martínez colocou o seu lugar à disposição.
Será Jorge Jesus a substituí-lo, começando já a preparação da equipa para a próxima grande competição em setembro: a Liga das Nações, já vencida por Portugal em 2019, ainda sob o comando técnico de Fernando Santos.
A equipa? Essa foi toda reformulada. Entraram caras novas e mais jovens, e apenas um ficou: Cristiano Ronaldo. CR7 é o único campeão europeu que competiu no Mundial 2026, ao lado da nova geração.
Passaram dez anos, mudaram os treinadores, renovou-se quase toda a equipa e chegaram novos sonhos. Mas há memórias que o tempo não apaga.
O remate de Éder, as lágrimas de Cristiano Ronaldo, o abraço coletivo no apito final e o grito de um país inteiro continuam vivos na memória de milhões de portugueses.
Aquela noite não pertence apenas aos 23 jogadores que levantaram o troféu: pertence a todos os que, por 109 minutos, acreditaram que o impossível podia acontecer. E nunca mais se voltou a olhar para a Seleção Nacional da mesma forma.











Leave a Reply