Na década de 1980, a televisão não cobria, como cobre hoje, a Copa Libertadores. Transmitia ao vivo apenas os jogos mais importantes e os jogos finais. Então, o rádio ocupava os espaços. A Rádio Verdes Mares, que ainda era “Verdinha 810”, fez a cobertura da Libertadores de 1984. Eu narrei vários jogos.
Passei doze dias em Caracas, na Venezuela. No dia 29 de junho de 1984, narrei a vitória do Flamengo sobre o ULA de Mérida (0 x 3). E no dia 03 de julho, quatro dias depois, narrei a vitória do Grêmio sobre o ULA (0 x 2). Os dois jogos foram realizados no Estádio Universitário de Caracas. Foi a minha primeira experiência internacional.
Nestes doze dias em Caracas, tive a oportunidade de conhecer de perto o técnico Zagallo, que dirigia o Flamengo. Estávamos em hotéis próximos. Ele me recebia muito bem. Mantivemos um bom contato. Certamente por isso, quando o filho dele, Paulo Zagallo, veio treinar o Guarany, logo me procurou. Fiquei muito feliz.
Hoje, 42 anos depois, lembrei deste trabalho internacional. A Verdinha completou 70 anos, agora no dia 16 de julho passado. E continua à frente na cobertura dos grandes acontecimentos. Já vem aí a cobertura das “Eleições 2026”.
Papo agradável
Conversei muito com o Zagallo em Caracas. Lá, a torcida gostava de beisebol. O torcedor não perturbava. Isso gerou um ambiente calmo, favorável a conversas descontraídas. Dos papos também participou o famoso narrador Doalcey Camargo. Conviver, por alguns dias, com o técnico do tri mundial foi um privilégio meu.
Estrada
Perdi as contas de quantas transmissões nacionais e internacionais. Mas também participei de transmissões no interior do Ceará. As narrações direto de Juazeiro do Norte ficaram famosas. Os profissionais da Verdinha e os das outras emissoras iam todos pela “Rápido Juazeiro”. A noite toda na estrada. Retorno no domingo após o jogo.
Ao vivo
Equipes completas ao vivo no local do jogo. Assim, pelo Brasil afora, a conversa com os grandes nomes do rádio. Em Recife, Ivan Lima, José Santana, Gomes Neto, Luiz Cavalcante, Roberto Queiroz. Em Teresina, Dídimo de Castro, Carlos Said. Em Natal, Roberto Machado e Hélio Câmara. Em Belém, Ivo Amaral e Cláudio Guimarães…
Mudanças
As coisas mudaram muito. O rádio teve que se reinventar diante das coberturas feitas pela televisão. Os narradores de rádio ganharam espaço na internet. Entram onde a televisão não pode entrar. Há muita gente que, por motivos diversos, não pode estar vendo televisão. O radinho, no aparelho ou no celular, está lá, firme e forte.
Raiz
Ficou na minha memória, no meu coração e na minha saudade, a transmissão raiz. Aquela feita no estádio, com a trilha sonora da própria torcida. O som tendo o eco para enfeitar. O microfone “cara de gato”. Hoje senti saudade das duas transmissões que fiz direto de Caracas, na Venezuela. Foi o meu batismo internacional. Aqui estou.








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