O Sporting apresenta-se hoje aos seus sócios no habitual Troféu Cinco Violinos, mas com uma música diferente daquela que tem vindo a tocar no último ano e meio. A profunda remodelação no plantel (que, ao dia de hoje, ainda não ficará por aqui, pois tal como A BOLA notificou também a baliza deverá receber gente nova) feita pela administração Varandas não tem obedecido apenas à renovação de peças, antes a uma nova forma de jogar.
Se é verdade que na época passada assistimos a uma equipa com impressão digital de Rui Borges, talvez 2026/27 seja a temporada em que todas as ideias do técnico de Mirandela estejam vertidas na prancheta e no campo. Porque o perfil dos jogadores contratados têm vindo a obedecer a uma lógica pré-determinada: uma equipa mais alta, mais forte fisicamente e, consequentemente, mais possante e explosiva.
Num levantamento feito no final de junho, A BOLA revelava que a média de alturas tinha aumentado 6 centímetros e o peso subira 5 quilos a mais, sinais de uma mudança que estava em curso. O que se viu no Algarve, frente ao Estrasburgo, mostrou princípios que fazem antever uma equipa mais agressiva nas transições e eventualmente mais vertical. Talvez com menos bola, porém mais felina e rápida a chegar à área contrária.
Isto lembra de alguma forma o ADN do último campeão nacional: o FC Porto de Francesco Farioli foi, inquestionavelmente, a equipa que mais correu (e que correu melhor), a que aplicou uma intensidade de jogo acima da concorrência e que em muitos momentos das suas partidas não se importou de abdicar da bola para encontrar os momentos certos de pressão e partir rapidamente contra um adversário desequilibrado. Em boa verdade, este foi um método que deu certo.
E como acontece com todos os campeões, há sempre um rasto que fica, um efeito de osmose, porque os treinadores adversários retiram sempre ideias de quem ganha no que deve ser entendido como um sinal de inteligência – quem pensa que sabe tudo raramente chega longe.
É demasiado cedo para concluir que o Fariolismo (que por sua vez foi beber de outras fontes, a isto se chama evolução) veio para ficar, mas a história dos campeonatos em Portugal mostra que a novidade deixa sempre sementes. O italiano teve o mérito de chegar e impor radicalmente o seu estilo em pouco tempo, enquanto Rui Borges está a optar por uma transição suave. Mas não menos inteligente.








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