Dezenas de milhares de argentinos assinaram uma petição para que a final da Copa do Mundo fosse repetida. Acham que não foi justa por causa da arbitragem. Por muita antipatia que a iniciativa gere, é preciso admitir que os argentinos têm razão. A arbitragem foi má.
O árbitro expulsou um jogador argentino aos três minutos da prorrogação, quando devia ter expulsado mais dois ou três muito antes. A verdade desportiva ficou manchada, porque se houvesse justiça a Espanha teria vencido a final sem precisar ir à prorrogação.
Durante os 90 minutos do jogo, a Argentina não fez qualquer remate. Nos 120 fez três, mas nenhum acertou no gol. E isto porque, mais uma vez, o árbitro permitiu que a Espanha fizesse trapaça. Eles esconderam a bola durante todo o jogo, a Argentina nem a viu.
Tendo em conta a loucura que houve com o álbum de figurinhas da Copa, que atraiu tantos meninos e meninas, é natural que aquela petição argentina tenha sido assinada por dezenas de milhares de crianças argentinas, que são o tipo de pessoa que costuma achar que não é justo perderem um jogo que, de todos os pontos de vista, mereceram perder.
Quando souberem desta petição argentina, talvez dezenas de milhares de egípcios se sintam inspirados para pedir a repetição do Argentina contra Egito, em que um gol foi anulado por causa de uma alegada falta ocorrida bastante tempo antes e do outro lado do campo.
Como português, gostaria de fazer uma petição para que o Portugal contra Espanha fosse não só repetido, mas que a repetição decorresse em 2016, altura em que o Cristiano Ronaldo ainda corria mais do que os adversários. Se, por constrangimentos impostos pelo contínuo espaço-tempo, tal não for possível, exijo que ao menos ele possa usar uma moto.
Também gostaria que houvesse uma petição sobre o Brasil contra Noruega. Não era preciso repetir, bastava prolongar por mais 15 ou 20 minutos. A intenção nem seria produzir alterações no placar final, era só para que o Neymar tivesse tempo para terminar aquele interessante debate com o goleiro da Noruega. Creio que os argumentos de cada um não foram bem explanados.
Infelizmente, todas estas petições estariam condenadas ao fracasso. Se um dos subscritores não for Donald Trump, é muito improvável que a Fifa seja sensível aos pedidos dos peticionários.
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