Como a Premier League tenta tirar Vinicius Jr. do Real Madrid


A janela de transferências do futebol europeu virou palco de um cabo de guerra pelo futuro de Vinícius Júnior. De um lado, o assédio financeiro da Premier League, liderado pelo Arsenal e monitorado de perto pelo Manchester United. Do outro, o Real Madrid, que blinda seu camisa 7 com uma cláusula de rescisão de 1 bilhão de euros em meio a um longo impasse contratual — ainda sem solução.

O estopim da crise é o próprio vínculo do brasileiro, que expira em junho de 2027. Sem renovação, Vini Jr. poderá assinar um pré-contrato com outro clube a partir de janeiro de 2027, o que forçaria o Real Madrid a negociar sua venda antecipada para não perder de graça seu maior ativo.

Atento a essa brecha, o Arsenal entrou forte na disputa: prepara uma oferta salarial recorde, superior aos 470 mil euros semanais que o atacante já recebe em Madrid, podendo ultrapassar 550 mil euros com bônus. O Manchester United também fez contato formal com o entorno do jogador e chegou a cogitar propostas entre 120 milhões e 200 milhões de euros pelo passe, embora hoje monitore a situação com menos intensidade que os rivais londrinos.

Diante da ameaça, o Real Madrid foi taxativo: só abre negociação de venda a partir de 160 milhões de euros — valor que a diretoria considera inegociável abaixo disso. A hipótese de venda, porém, esbarra na resistência do técnico José Mourinho, que assumiu o comando em julho e não quer perder a estrela brasileira.

As negociações são marcadas por tensões e recados públicos. Vinícius já declarou publicamente que não tem pressa: “Não tenho pressa de renovar, tenho contrato até 2027, até lá temos muito que falar”, disse em entrevista à Cazé TV. Nos bastidores, o Real Madrid ofereceu um pacote de 20 milhões de euros líquidos anuais — patamar equivalente ao de Kylian Mbappé —, mas o entorno do jogador contrapôs com 30 milhões de euros, valor que o clube nunca pagou a nenhum atleta, nem mesmo a Cristiano Ronaldo. O clima esquentou em dezembro de 2025, quando o atacante, vaiado no Santiago Bernabéu após um jejum de gols, trocou a foto de perfil nas redes sociais: saiu a camisa do Real, entrou a da Seleção Brasileira — gesto lido como recado ao clube.

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Internamente, o discurso também é dividido. Nas redes oficiais, o Real trata o camisa 7 como inegociável. Já o presidente Florentino Pérez adotou tom mais cauteloso: “Vinícius é um craque e eu adoraria tê-lo aqui para sempre”, disse, mas completou que, se o atleta quiser assinar com outro clube, “está livre para fazê-lo. Não vou forçar ninguém. Dinheiro nunca foi o mais importante.”

Por ora, o desfecho segue indefinido. As duas partes devem retomar as conversas após a Copa do Mundo de 2026, num encontro que pode definir o futuro do brasileiro. Enquanto isso, a manutenção da cláusula de 1 bilhão de euros funciona como recado ao mercado inglês — mas, pela primeira vez em anos, a permanência de Vinícius Júnior em Madrid não é mais uma certeza.



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