UNFPA Brazil | Novas infecções por HIV aumentam na América Latina, e especialistas defendem reforço da prevenção durante a AIDS 2026


O Fundo de População da ONU (UNFPA) e organizações da sociedade civil defendem mais investimentos em jovens, respostas lideradas pelas comunidades e integração com saúde e direitos sexuais e reprodutivos

RIO DE JANEIRO, 27 de julho de 2026 — Estima-se que 1,2 milhão de pessoas tenham adquirido HIV em 2025, enquanto o número de novas infecções na América Latina aumentou 13% entre 2010 e 2025. Os dados reforçam a urgência de fortalecer a prevenção e garantir que novas tecnologias cheguem às pessoas que mais precisam delas, destacaram especialistas durante a Conferência Internacional da AIDS 2026, no Rio de Janeiro.

Mais de 3 mil adolescentes e mulheres jovens adquirem HIV por semana em todo o mundo, segundo dados apresentados durante um evento satélite à conferência, organizado pelo Fundo de População da ONU (UNFPA), em parceria com o ICW Global, Frontline AIDS e Let’s StopAIDS.

O encontro reuniu jovens, organizações da sociedade civil, governos, agências das Nações Unidas e doadores para discutir caminhos para reverter a desaceleração da prevenção do HIV. A principal mensagem foi: o avanço científico não será suficiente sem compromisso político, financiamento sustentável e liderança das comunidades mais afetadas pelo HIV.

“Estamos em um momento em que a ciência está à frente dos sistemas”, afirmou Malayah Harper, Assessora Sênior de HIV e Saúde Sexual do UNFPA. “O desafio não está na inovação das intervenções, mas em garantir acesso direcionado, equidade e direitos humanos.”

Novas tecnologias de prevenção de ação prolongada estão ampliando as possibilidades de prevenção do HIV. O acesso, porém, continua condicionado por desigualdades, localização geográfica, estigma e pela capacidade dos sistemas de saúde de oferecer serviços acessíveis e confiáveis.

Para o UNFPA, a prevenção também precisa estar integrada à saúde e aos direitos sexuais e reprodutivos e à educação integral em sexualidade, em vez de ser tratada como uma agenda separada.

“A educação integral em sexualidade não é um ‘extra’ na prevenção do HIV. Ela é prevenção do HIV”, afirmou Harper.

O papel dos jovens foi outro ponto central do debate. Embora representem aproximadamente um quarto da população mundial, jovens ainda têm participação limitada na formulação de políticas, no desenho de programas, no financiamento e na prestação de contas.

“Os jovens não estão esperando pelo futuro. Eles estão moldando a resposta ao HIV hoje”, afirmou Florbela Fernandes, Representante do UNFPA no Brasil.

Fernandes destacou três prioridades: integrar, empoderar e investir. Integrar a prevenção do HIV à saúde e aos direitos sexuais e reprodutivos e à educação integral em sexualidade; empoderar jovens e comunidades para influenciar políticas e financiamento; e investir de forma sustentável em prevenção e serviços.

“Nada sobre os jovens deve ser decidido sem os jovens”, acrescentou.

As organizações lideradas pelas comunidades também enfrentam pressão crescente em um cenário de redução dos recursos destinados a programas de HIV. Durante o encontro, participantes ressaltaram que essas organizações não são apenas prestadoras de serviços: são fundamentais para alcançar populações que muitas vezes ficam fora dos sistemas formais de saúde, enfrentar o estigma e identificar barreiras à prevenção.

A discussão ocorre durante a implementação da nova agenda global de prevenção do HIV e da Declaração Política sobre HIV e AIDS de 2026, que reafirmam o compromisso de acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030.

O desafio agora é transformar esses compromissos em ação e garantir que a inovação chegue às pessoas. “O futuro da resposta ao HIV já está aqui”, afirmou Florbela. “Nossa tarefa é confiar nele, investir nele e agir agora.”





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