A UEFA, entidade que administra o futebol europeu, está considerando um boicote a eventos da FIFA, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, em uma ruptura de grandes proporções entre as duas entidades mais poderosas que comandam o futebol mundial.
A organizadora do futebol europeu reagiu com fúria nesta terça-feira (28) às propostas da FIFA de buscar investimentos privados. Em resposta, a UEFA realizou discussões internas sobre como clubes e associações nacionais poderiam boicotar competições.
Isso incluiria a Copa do Mundo, além do Mundial de Clubes, torneio ampliado apoiado pela FIFA que poderia rivalizar com a própria e lucrativa Liga dos Campeões da UEFA, afirmou a fonte, que não estava autorizada a falar publicamente sobre as negociações.
Um porta-voz da UEFA se recusou a comentar. A FIFA não respondeu a um pedido de posicionamento.
As duas organizações sem fins lucrativos mantêm há anos uma relação de tensão, agravada recentemente pela expansão da atuação da FIFA em áreas tradicionalmente dominadas pela UEFA. O conflito se intensificou depois que a FIFA revelou planos de transferir grandes operações comerciais e de torneios para uma nova entidade avaliada em US$ 20 bilhões.
Na terça-feira, a UEFA reagiu às notícias sobre o braço comercial da FIFA com um forte alerta contra a crescente influência de investidores privados, afirmando que o futebol e suas principais competições não são ativos à venda.
“Isso ultrapassa uma linha que as instituições que comandam o futebol jamais deveriam cruzar”, afirmou a UEFA, que reúne 55 membros da FIFA. “A UEFA leva isso extremamente a sério. Todas as federações nacionais também deveriam levar. Assim como todos os envolvidos: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos que se preocupam com o futuro do esporte.”
A FIFA afirmou que a empresa proposta, chamada FIFA Forward Enterprise, permaneceria sob seu controle, com investidores autorizados a adquirir apenas participações minoritárias, sem poder de decisão. O empreendimento poderia levantar até US$ 4,2 bilhões, e a entidade afirmou que o projeto permitiria aumentar de forma significativa os recursos destinados às 211 associações filiadas à FIFA, financiando infraestrutura, treinamento de técnicos, programas de base e o futebol feminino.
A UEFA, no entanto, teme que a entrada de capital privado dê à FIFA uma influência ainda maior sobre federações nacionais e clubes locais.
Recentemente, a FIFA ampliou sua presença em um território historicamente dominado pela Liga dos Campeões da UEFA. O novo Mundial de Clubes, realizado em 2025, distribuiu uma premiação de US$ 1 bilhão entre 32 clubes. O formato reformulado colocou a competição em confronto direto com a Liga dos Campeões, um dos torneios mais lucrativos do futebol mundial.
Outro ponto de conflito é o calendário dos jogadores, que ficou sobrecarregado nos últimos anos com o aumento do número de competições, gerando reclamações de sindicatos de atletas. Os clubes, que pagam os salários dos jogadores, vêm pressionando pela redução de torneios internacionais, alegando que eles aumentam o desgaste físico e o risco de lesões.










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