Europeus ameaçam boicotar Copa de 2030 se Fifa seguir com plano comercial


Rizzo: ‘A FIFA está ultrapassando um limite e atrapalhando o jogo’

Marcel Rizzo avalia que os eventos promovidos pela FIFA atrapalham a concentração de técnicos e jogadores.

O plano da Fifa de criar uma empresa para gerenciar os direitos comerciais e operacionais das competições que organiza pode resultar em menos equipes na próxima Copa do Mundo, ao menos vindo da Uefa. De acordo com o veículo inglês Sky Sports, os países europeus podem boicotar a edição de 2030 se o plano da entidade seguir em frente.

Não é a primeira vez que a confederação responsável pelo futebol do velho continente entra em rota de colisão com a federação global. Além de diversos embates durante o Mundial na América do Norte, como de seus representantes serem dos poucos contra a reeleição de Gianni Infantino, a ideia comercial já havia sido criticada no começo desta terça-feira, 28.

Presidente da Fifa, Gianni Infantino tem novo ‘embate’ com a Uefa após representantes da entidade ameaçarem boicotar próximo Copa do Mundo por novo plano de negócios. Foto: Eduardo Verdugo/AP Photo

A ideia da Fifa é vender participações minoritárias por meio do novo programa de negócios, avaliado em cerca de R$ 102,5 bilhões. Seria criado um grupo chamado Fifa Forward Enterprise (FFE), que consolidaria os eventos e operações, mas a governança do futebol permaneceria sobre o controle da entidade.

Para o plano ser aprovado, a federação oferece US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51 bilhões) para as 211 filiadas nacionais – e um montante opcional de US$ 20 milhões (R$ 102,3 milhões) já seria dado para casa Associação Membro para projetos especiais do chamado Programa Fifa Fast-Forward (FFFP).

No planejamento divulgado pela Fifa, cada federação ainda receberia US$ 20 milhões no ciclo 2027-2030 (o valor atual é de U$ 8 milhões). Nos seguintes, ganhariam US$ 22 milhões (2031/2034) e US$ 24 milhões (2035/2038).

Presidente da entidade máxima do futebol foi alvo de polêmicas durante a disputa da Copa do Mundo de 2026. Foto: Ashley Landis/AP Photo

A Fifa informa que, se criada, a FFE captaria US$ 4,2 bilhões (o equivalente a R$ 21,5 bilhões) ainda este ano para financiar o Fifa Fast-Forward (FFFP). A entidade fala em uma “seleção criteriosa de investidores” a longo prazo, que teriam as participações minoritárias, sem ter domínio sobre a FFE. Os lucros líquidos do braço comercial seriam investidos no desenvolvimento do futebol no planeta.

Mais cedo, a Uefa manifestou-se e disse que o plano “cruza linhas que nunca deveriam ser cruzadas” e que o projeto negocia pontos do esporte que deveriam ser inegociáveis.

“Isso cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar”, disse a entidade europeia. “A Uefa leva isso extremamente a sério. Toda Associação Nacional de Futebol também deveria e todo stakeholder também: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos que se importam com o futuro do esporte”.

Espanha, campeã da Copa de 2026, será anfitriã do torneio em 2030, junto a Portugal e Marrocos. Foto: Elsa/Getty Images via AFP

“A alma e governança do futebol não são ativos para negociar, especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo”, completou a Uefa.

O possível boicote à Copa do Mundo será discutido em uma reunião virtual prevista para acontecer nesta semana, antes da Fifa confirmar ou não a criação do programa. A edição de 2030 será sediada em conjunto por Espanha, Portugal e Marrocos.



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