Lula da Silva defendeu a universalidade do sistema público de saúde brasileiro durante uma visita ao Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro, e pediu ao diretor-geral da OMS que transmita a Donald Trump uma mensagem sobre o acesso igual aos tratamentos
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O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a retirada dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde e o fim do financiamento norte-americano à instituição durante uma visita ao Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Ao lado do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, Lula pediu que o responsável pela organização leve uma mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
«Quando você puder conversar com o presidente Trump, ele que anunciou que ia cortar verba da OMS, diga para ele como um país que não é rico como os Estados Unidos consegue garantir a cada cidadão brasileiro o mesmo tratamento de saúde que terá o presidente da República», declarou.
A administração Trump interrompeu as contribuições dos Estados Unidos e concluiu a saída do país da OMS em 22 de janeiro de 2026, depois do período de pré-aviso de um ano. A decisão incluiu a retirada de pessoal norte-americano, a suspensão da participação em estruturas da organização e o fim das verbas federais destinadas à instituição. Os detalhes da retirada permanecem acessíveis na informação oficial norte-americana.
O presidente brasileiro apresentou o Sistema Único de Saúde como prova de que um país pode oferecer assistência universal, incluindo tratamentos de maior complexidade, sem estabelecer diferenças em função do rendimento. O SUS assegura atendimento integral e gratuito a mais de 200 milhões de habitantes.
Durante a passagem pelo centro de radioterapia do Hospital Federal do Andaraí, Lula recordou o tratamento a que foi submetido após a remoção, em abril, de um carcinoma basocelular no couro cabeludo. O chefe de Estado concluiu em junho 15 sessões complementares de radioterapia no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.
«Qualquer pessoa mais humilde que precisar fazer radioterapia vai fazer numa máquina que o Trump fará, que o Xi Jinping fará, que o Putin fará e que o Lula fará. Tratamento de saúde não é para rico, é para quem está doente», afirmou.
Lula retirou o chapéu e mostrou o local tratado, usando o episódio pessoal para sustentar que a tecnologia disponível na rede pública deve garantir ao cidadão comum os mesmos cuidados acessíveis a um chefe de Estado. Pediu ainda a Tedros que divulgue o modelo brasileiro fora do país.
«O que a gente quer provar ao mundo é que é possível as pessoas mais pobres do mundo terem um tratamento de saúde qualificado. Ninguém precisa morrer por falta de atendimento porque é pobre», disse.
Tedros recebeu simbolicamente das mãos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um cartão do SUS com o seu nome. O diretor-geral da OMS mostrou-o aos participantes e declarou que o Brasil oferece um exemplo internacional ao reconhecer constitucionalmente a saúde como um direito.
«O SUS é um dos raríssimos sistemas de saúde no mundo que cobre toda a população. Com isso, garante acesso às pessoas que não têm condições de pagar pelos serviços de saúde», afirmou Tedros.
O dirigente etíope recordou também a assistência médica que recebeu no Rio de Janeiro em novembro de 2024, após sentir-se mal durante a cimeira do G20. Na ocasião, passou uma noite sob observação no Hospital Samaritano Barra, uma unidade privada, e teve alta na manhã seguinte.
A comitiva percorreu uma unidade móvel destinada à saúde da mulher, ambulâncias e motociclos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e unidades odontológicas móveis. Além de Lula, Tedros e Padilha, participaram na agenda o governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, o prefeito Eduardo Cavaliere, representantes da Fundação Oswaldo Cruz e ministros da Saúde de outros países.
Tedros deslocou-se ao Brasil para participar na AIDS 2026, a 26.ª Conferência Internacional sobre a Sida, realizada entre 26 e 31 de julho no Riocentro e através de plataformas digitais. O encontro reúne governantes, investigadores, profissionais de saúde, financiadores e organizações de pessoas que vivem com VIH, num período marcado pela redução internacional do financiamento de programas de prevenção e tratamento.
NR/HN/Lusa
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