Mais de 500 mil euros apreendidos, que foram parar a um casino e que depois desapareceram de novo. Luís Neves era o director.
A origem remonta já a 2018, mais concretamente em Outubro: na altura, a Polícia Judiciária (PJ) fez a maior apreensão de bitcoins de sempre em Portugal.
A PJ conseguiu apreender códigos de criptomoedas numa vivenda em Vila Nova de Gaia. 9,72 bitcoins, que na altura variam 130 mil euros e hoje já seriam mais de 500 mil euros. Um casal foi detido.
As 9,72 bitcoins foram transferidas para uma carteira criada no momento e sob controlo policial.
A chave foi impressa, lacrada e depositada na Caixa Geral de Depósitos. Era a que permitia movimentar o dinheiro.
Mas, dias depois, um inspetor abriu a carteira para preparar uma apresentação e encontrou-a “com saldo a zeros”: tinha sido esvaziada dois dias depois da apreensão, relata a CNN Portugal.
As bitcoins desapareceram em quatro movimentos realizados em cerca de uma hora e meia. Para parte incerta.
Foi iniciada uma investigação de branqueamento de capitais, descaminho e de acesso ilegítimo. Tudo dentro da PJ.
Procuraram nas contas do casal – foi levantado o sigilo bancário e fiscal. Começaram a escutar os telefonemas dos dois suspeitos, que viriam a ser arguidos em 2021. Nada deu resultado.
Um ano e meio depois, já em 2020, foram encontradas num casino online.
Mas, pouco depois, desapareceram de novo. Era impossível rastrear o seu destino através daquela plataforma de jogo, a CoinGaming.
No meio da investigação interna, e ao tentar perceber quem teve acesso à chave, foi descoberto que, a certa altura, essa chave chegou a ficar “no vidro do scanner da impressora do seu gabinete, sem qualquer proteção de terceiros que ali entrassem”, lê-se num relatório do Ministério Público. Ou seja, a carteira ficou no scanner antes de ser esvaziada.
Saltando para 2022, o inquérito foi arquivado. Ninguém tinha descoberto o autor do crime. Casal e PJ ilibados, ninguém foi acusado.
No ano passado, o casal foi absolvido. A PJ recebeu ordem do Tribunal Central Criminal de Lisboa: devolver tudo ao casal, incluindo as bitcoins.
Depois de resposta do tal casino, há indícios que foi um canadiano a ficar com as bitcoins.
No meio desta “novela”, fica um aviso para o que ainda poderá vir: o casal pode exigir indemnização ao Estado.












Leave a Reply