Passo oficial fortalece a posição da Uefa: projeto de Infantino sofre novo golpe


O projeto da Federação Internacional de Futebol (Fifa) de criar uma empresa comercial para administrar seus torneios e abrir as portas a investidores para a compra de participações sofreu um novo golpe, depois que a Confederação Asiática de Futebol anunciou sua adesão oficial à Uefa (federação europeia) e à Concacaf (federação da América do Norte, Central e Caribe) na oposição à proposta.

A Confederação Asiática afirmou, em comunicado oficial divulgado nesta sexta-feira, que se coloca em “solidariedade” com a Uefa e a Concacaf, ressaltando que o projeto, em sua forma atual, não pode alcançar o consenso e a unidade necessários para seguir adiante.

O comunicado esclareceu que a Copa do Mundo representa o ápice do futebol mundial e extrai sua força da participação de todas as confederações continentais e das principais seleções, enfatizando que qualquer proposta que possa ameaçar a unidade do torneio ou seu caráter global deve ser reconsiderada.

A posição da Confederação Asiática é considerada um forte golpe nos planos do presidente da Fifa, Gianni Infantino, pois torna a aprovação do projeto por meio de votação ainda mais difícil.

Infantino havia esclarecido que a adoção da proposta requer a aprovação de maioria simples, ou seja, o apoio de 106 federações das 211 filiadas à entidade internacional.

A Uefa e a Concacaf detêm juntas 90 votos na Assembleia Geral da Fifa, enquanto a Confederação Asiática possui 46 votos, o que significa que a oposição desses três blocos coloca o projeto diante de um grande obstáculo.

A Confederação Asiática criticou a forma como a Fifa conduziu a proposta, considerando que a entidade internacional definiu o rumo da iniciativa antes de realizar qualquer consulta real com as partes envolvidas, o que revelou — segundo o comunicado — pontos de fraqueza fundamentais nos mecanismos de consulta e tomada de decisão dentro da Fifa.

Acrescentou que a ausência de consultas fez com que as confederações continentais e nacionais, e até mesmo os órgãos administrativos ligados à Fifa, incluindo o Conselho da entidade internacional, se sentissem marginalizados, exigindo uma revisão urgente do sistema de governança e dos mecanismos de tomada de decisão, para garantir que iniciativas de impacto global sejam discutidas por meio de consultas reais e da supervisão institucional adequada.

A Uefa havia anunciado, na quinta-feira, sua rejeição categórica ao projeto e ameaçou boicotar as Copas do Mundo caso a Fifa avance na execução de seu plano, antes de a Concacaf também confirmar a rejeição de suas 41 federações à proposta.

A Fifa respondeu à onda de objeções com um comunicado no qual enfatizou a continuidade do processo de consultas, afirmando que “ninguém está vendendo o futebol” e que reportagens imprecisas da imprensa atrapalharam o processo de consulta que pretendia realizar.

O projeto visa criar uma empresa comercial vinculada à Fifa que assuma a administração de seus grandes torneios, sobretudo a Copa do Mundo, permitindo que investidores externos comprem participações nela, enquanto a entidade internacional assegura que isso não afetará o espírito do jogo nem a estrutura de governança da instituição.

Em contrapartida, a Uefa acusa a Fifa de buscar utilizar o futebol para obter ganhos financeiros em benefício de seus dirigentes e parceiros, enquanto tanto a Confederação Asiática quanto a Concacaf concentraram suas críticas na ausência de transparência e na fragilidade das consultas antes da apresentação do projeto.

A Confederação Sul-Americana (Conmebol) ainda não anunciou sua posição oficial, enquanto tanto a Confederação Africana (CAF) quanto a Oceânica (OFC) confirmaram que discutirão a proposta durante reuniões previstas para o mês de agosto.



Source link

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *