247 – O Real Madrid manifestou neste domingo (2) apoio à reação da Uefa e de outras entidades contra a proposta da Fifa de vender participações em receitas comerciais futuras da Copa do Mundo e de outras competições. Em nota oficial, o clube espanhol classificou como “boa notícia” o recuo da entidade máxima do futebol e afirmou que a oposição das confederações protegeu o esporte “em um momento decisivo”.
No comunicado, o clube presidido por Florentino Pérez agradeceu às entidades que, segundo a nota, “se opuseram com firmeza e responsabilidade a este projeto”, destacando que a decisão de abandonar a proposta preserva a estrutura do futebol internacional.
“O Real Madrid valoriza muito positivamente o fato de a Fifa ter desistido da ideia”, afirmou o clube, acrescentando que a iniciativa de comercializar receitas futuras representava um risco para o modelo atual do futebol.
A nota também reforça o papel dos clubes na formação das seleções nacionais. “Os clubes são a base sobre a qual se constrói o futebol de seleções e a Copa do Mundo. São eles que descobrem, formam, desenvolvem e colocam à disposição das seleções nacionais os jogadores que tornam possíveis essas grandes competições”, diz o texto.
Na sequência, o Real Madrid sustenta que o Mundial e o futebol de seleções possuem um caráter que vai além do aspecto comercial. “Nunca devem ser tratados como simples ativos financeiros destinados a serem comercializados em benefício de poucos”, afirma o comunicado.
O clube espanhol também rejeitou qualquer modelo que antecipe receitas futuras sem compartilhar os custos envolvidos na organização e desenvolvimento do futebol. “O Real Madrid se opõe firmemente a qualquer tentativa de vender as receitas comerciais futuras das competições sem assumir em troca nenhum de seus custos ou riscos”, destaca a nota.
Em outro trecho, o posicionamento endurece o tom ao afirmar: “São os clubes que os suportam, e qualquer iniciativa que pretenda se apropriar das receitas futuras do futebol sem assumir as responsabilidades que as geram é inaceitável e não deve ser considerada novamente.”
O Real Madrid ainda recordou que adotou posição semelhante durante o debate sobre a entrada de um fundo privado na La Liga espanhola em troca de receitas audiovisuais futuras. Segundo o clube, esse tipo de operação cria “um precedente que o futebol não deve repetir”.
Na última edição da Copa do Mundo, dez jogadores do Real Madrid defenderam suas respectivas seleções, entre eles o atacante brasileiro Vinícius Júnior.
Crise política na Fifa
A manifestação do Real Madrid ocorre em meio à crise provocada pela proposta apresentada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino. O plano previa a criação de uma empresa para comercializar participações em ativos comerciais da entidade, com expectativa de captar até US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões), recursos que, segundo a Fifa, seriam destinados ao desenvolvimento do futebol.
Embora Infantino tenha retirado a proposta apenas três dias após sua apresentação, o episódio ampliou o desgaste político dentro da entidade.
No sábado (1º), a Uefa afirmou que já “não confia na atual gestão da federação internacional” e anunciou que discutirá, junto a outras confederações, mecanismos para impedir iniciativas semelhantes. A entidade europeia criticou a falta de transparência na condução do projeto e defendeu uma revisão dos processos de governança da Fifa.
A Concacaf também condenou a proposta, afirmando que “uma proposta desta magnitude não chega a essa etapa por acidente” e ressaltando que “a Fifa não é uma empresa privada, é uma instituição que exerce a custódia do futebol e de seus membros”. A confederação acrescentou que o episódio “é o reflexo de uma liderança que deixou de colocar o futebol em primeiro lugar”.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) igualmente se posicionou contra o plano. Juntas, Uefa, Concacaf e AFC representam 143 das 211 associações filiadas à Fifa, formando maioria suficiente para inviabilizar politicamente a proposta e pressionar pelo recuo da entidade.
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