As condições de trabalho na América Latina avançaram muito pouco nas últimas três décadas, justamente quando a região passa a enfrentar as incertezas trazidas pela inteligência artificial, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (3) pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
De acordo com o estudo “Fazer os mercados de trabalho funcionarem”, a renda real dos trabalhadores latino-americanos cresceu apenas 18% nos últimos 30 anos, ritmo equivalente a cerca da metade do observado nos países que integram a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
O relatório reconhece avanços pontuais, como o aumento da presença de mulheres no mercado formal e a melhora das redes de proteção social na região. Ainda assim, os autores apontam que a produtividade permanece estagnada há décadas, a ponto de serem necessários quase quatro trabalhadores latino-americanos para produzir o equivalente ao que um único trabalhador produz nos Estados Unidos.
Segundo o estudo, essa baixa renda é, sobretudo, reflexo da baixa produtividade regional, embora em alguns casos também decorra de trabalhadores que não recebem a parcela integral do valor que ajudam a gerar.

Explicações e soluções
David S. Kaplan, um dos autores do relatório, disse a jornalistas que as habilidades da força de trabalho da região estão hoje desalinhadas em relação ao que os empregadores demandam.
Além de investir em formação profissional, o BID recomenda que os governos da região reforcem a seguridade social e os sistemas de aposentadoria. O relatório também chama atenção para o efeito da queda na natalidade, fenômeno que já provoca na América Latina problemas antes vistos apenas em países desenvolvidos, como a redução da população economicamente ativa e a pressão sobre os sistemas previdenciários.
Entre as recomendações do estudo está o incentivo a contratações formais. Em 2024, quase metade dos trabalhadores da região, 46%, era formada por autônomos ou empregados de microempresas.











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