Juros futuros caem com petróleo e expectativa de acordo no Oriente Médio


As taxas dos DIs com prazos a partir de janeiro de 2028 fecharam a segunda-feira (3) com ​baixas, acompanhando o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo no exterior em meio à expectativa de que possa haver um acordo entre Estados Unidos e Irã.

Uma nova pesquisa eleitoral no Brasil, indicando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) colado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pelo Planalto, também justificou a queda das taxas.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,805%, com baixa de 6 pontos-base ante o ajuste de 13,861% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro ⁠de 2035 marcava 14,42%, com queda de 23 ​pontos-base ante 14,646%.

No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o adiamento de um ​novo ataque ao Irã. Além disso, afirmou que a República Islâmica e outros países do Oriente Médio pediram mais ⁠tempo para concluir um acordo para reabertura do Estreito de ⁠Ormuz, por onde circulam 20% do petróleo e do gás exportados pelos países.

Nesta segunda-feira (3), o Irã ​desmentiu ‌que estivesse negociando com os EUA, mas Trump confirmou que as conversas estão em andamento e voltou a ameaçar punir ⁠Teerã caso um acordo não seja fechado.

Nesse cenário ainda nebuloso, os agentes se apegaram à possibilidade de avanços nas negociações de paz, o que conduziu a queda do petróleo Brent para a faixa de US$83 o barril e o recuo firme dos rendimentos ‌dos ⁠Treasuries.

No Brasil, isso se traduziu ‌na baixa das taxas dos DIs em toda a curva, em movimento também influenciado, conforme dois profissionais ouvidos pela Reuters, pela pesquisa BTG/Nexus.

Conforme o levantamento, Lula tem 46% das intenções de voto em eventual segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 45% ⁠de Flávio Bolsonaro. A margem de erro é de 2 pontos ⁠percentuais, para mais ou para menos. Na pesquisa BTG/Nexus anterior, Lula tinha 47% e Flávio somava 43%.

Os números sugeriram que, ao contrário do que mostraram ‌pesquisas de outros institutos, Flávio não está tão distante de Lula — cuja candidatura, principalmente por conta da política fiscal, gera desconfiança em parte do mercado.

Os investidores também seguiram consolidando nesta segunda-feira as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortará novamente a taxa básica Selic esta semana.

Na última quinta-feira — atualização mais recente — a precificação das ‌opções de Copom negociadas na B3 indicava 93,5% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic esta semana, contra 6,5% de probabilidade de manutenção em 14,25%.

Para o encontro seguinte, em setembro, a precificação indica 65% de probabilidade de ⁠novo corte de 25 pontos-base, contra 27,5% de chance de manutenção.

Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central informou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para a Selic no fim de 2026 caiu de 14,00% para 13,75%, com os analistas ​passando a projetar dois cortes de 25 pontos-base da taxa básica até o fim do ano. No caso do Focus, porém, ​a expectativa é de corte de 25 pontos-base esta semana e de outros 25 pontos-base apenas em novembro.

A inflação para 2026 projetada no Focus foi de 5,12% para 5,03% e para 2027 seguiu em 4,22%.

Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — caía 6 pontos-base, ‌a 4,688%.



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