Após a realização de duas campanhas nacionais de vacinação contra a poliomielite e de duas campanhas sincronizadas com a República da Namíbia e a República Democrática do Congo nas zonas fronteiriças, que permitiram vacinar mais de nove milhões de crianças com menos de cinco anos, Angola está a transformar as lições aprendidas em acções concretas para reforçar a imunização, alcançar mais crianças e acelerar os esforços rumo à erradicação da pólio.
Este compromisso foi reafirmado durante o Workshop Nacional de Avaliação Pós-Campanha, promovido pelo Ministério da Saúde, através do Programa Nacional de Imunização, com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de outros parceiros.
Num contexto em que a poliomielite continua a representar uma ameaça para a saúde pública a nível mundial, o objectivo da avaliação foi analisar o desempenho das campanhas realizadas no primeiro semestre de 2026, identificar boas práticas, compreender os desafios operacionais e definir medidas concretas para fortalecer futuras campanhas de vacinação e os serviços de imunização de rotina.
Ao longo de três dias de trabalho, foram analisadas evidências provenientes de dados administrativos de vacinação, monitorização independente, inquéritos de qualidade (LQAS), relatórios de supervisão, vigilância epidemiológica, gestão logística e actividades de mobilização social. A análise permitiu identificar oportunidades para melhorar a qualidade das campanhas, reforçar a utilização dos dados no processo de tomada de decisão e ampliar a capacidade dos serviços de saúde para vacinar todas as crianças elegíveis.
A avaliação incidiu sobre todas as etapas do processo, desde a microplanificação e a formação das equipas até à distribuição de vacinas, ao funcionamento da cadeia de frio, à supervisão no terreno e ao envolvimento das comunidades. As conclusões servirão de base para a adopção de medidas destinadas a aumentar a cobertura vacinal, a colmatar lacunas operacionais e a reforçar a capacidade de resposta nas áreas mais remotas e de difícil acesso.
O workshop destacou também a importância de fortalecer a vigilância das Paralisias Flácidas Agudas (PFA) e a vigilância ambiental, sistemas essenciais para a detecção precoce de qualquer circulação potencial do poliovírus. O reforço destes mecanismos continua a ser uma prioridade, a fim de preservar os progressos alcançados e garantir uma resposta rápida a eventuais riscos para a saúde pública.
O fortalecimento da vacinação de rotina foi outro dos temas centrais das discussões. Os participantes analisaram estratégias para identificar e vacinar crianças não vacinadas ou subimunizadas, melhorar a gestão de vacinas e de consumíveis e ampliar o acesso aos serviços de imunização em todas as províncias. Estas acções são fundamentais para reduzir o número de crianças “zero dose” e assegurar uma protecção mais equitativa para todas as famílias.
Segundo a coordenadora nacional do Programa Alargado de Vacinação, Dra. Alda de Morais, a avaliação constitui uma oportunidade estratégica para reunir os principais intervenientes do programa de imunização, analisar dados concretos e identificar acções que contribuam para o fortalecimento sustentável dos serviços de vacinação.
“As conclusões desta avaliação vão permitir-nos reforçar a qualidade das futuras campanhas e da vacinação de rotina. O nosso compromisso é garantir que nenhuma criança fique por vacinar e que os ganhos alcançados pelo país sejam protegidos e ampliados, de modo a erradicar a pólio e proporcionar um futuro melhor às nossas crianças.”
O coordenador do programa da Iniciativa Global para a Erradicação da Poliomielite em Angola, o Dr. Nirakar Panda, salientou que o êxito da erradicação da doença depende da capacidade de transformar o conhecimento e as evidências em acções concretas. Para tal, defendeu o reforço da qualidade e da oportunidade das campanhas de vacinação, com especial atenção às crianças com dose zero, bem como o fortalecimento da coordenação transfronteiriça com os países vizinhos, o aprimoramento dos sistemas de vigilância e dos mecanismos de verificação de dados, a promoção do recrutamento local de equipas de vacinação para maximizar a cobertura e a melhoria do microplaneamento com base em dados populacionais actualizados e harmonizados.
“A erradicação da poliomielite exige muito mais do que campanhas de vacinação bem-sucedidas. É necessário aprender continuamente, usar os dados de forma estratégica e converter evidências em medidas concretas. Por isso, este exercício demonstra o compromisso de Angola em fortalecer o seu programa de imunização e garantir que todas as crianças estejam protegidas contra doenças que podem ser evitadas através da vacinação”, afirmou.
Como resultado deste workshop, será desenvolvido um plano de acção nacional com recomendações prioritárias, responsabilidades definidas, prazos de implementação e mecanismos de monitorização para acompanhar a execução das medidas acordadas. O objectivo é garantir que as lições aprendidas se traduzam em melhorias concretas na qualidade das campanhas, na vigilância epidemiológica e no desempenho global do programa de imunização.
O workshop reuniu representantes do Programa Nacional de Imunização, das Direcções Provinciais de Saúde, de laboratórios de referência, da OMS, do UNICEF, do SOLINA, da AFENET, da World Vision e de outras instituições parceiras, promovendo uma análise conjunta dos resultados e reforçando o compromisso colectivo de acelerar os esforços para erradicar a pólio em Angola.
Ao transformar evidências em acção e conhecimento em melhorias concretas, Angola está a fortalecer a sua capacidade de proteger vidas, a reforçar os serviços de saúde e a avançar com confiança rumo a um futuro sem poliomielite.










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