Atividade industrial americana registra a maior leitura desde maio de 2022, enquanto mercado acompanha dados de emprego e juros
O Bitcoin hoje (4) opera em alta e volta à região dos US$ 64 mil após o índice de atividade industrial dos Estados Unidos superar as expectativas do mercado. O avanço das bolsas americanas e o alívio recente nas tensões geopolíticas também favorecem os ativos de risco.
Por volta das 13h17, o Bitcoin subia 0,86%, cotado a US$ 64.009,47. Durante o dia, a criptomoeda oscilou entre aproximadamente US$ 63,3 mil e US$ 64,1 mil.
O BTC tenta se sustentar acima da média móvel simples de 200 semanas, situada perto dos US$ 63,7 mil. O mercado também acompanha os próximos dados de emprego dos Estados Unidos e as expectativas para os juros americanos.
Bitcoin hoje reage após PMI industrial atingir 55,6 pontos
A recuperação do Bitcoin ganhou força após a divulgação do PMI ISM de manufatura dos Estados Unidos.
O indicador subiu de 53,3 pontos em junho para 55,6 pontos em julho. O resultado ficou acima da projeção de 54 pontos e representou a leitura mais elevada desde maio de 2022.
Números acima de 50 indicam expansão da atividade industrial. O resultado de julho mostrou aceleração do setor manufatureiro americano, apesar das incertezas relacionadas aos juros e ao cenário geopolítico.
Segundo Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, a melhora da atividade contribuiu para o avanço do mercado cripto e das bolsas americanas.
“A recuperação veio principalmente após o dado de atividade industrial dos Estados Unidos surpreender positivamente. Ciclos positivos do Bitcoin costumam acontecer em períodos de atividade econômica acelerando”, afirma.
O ambiente favorável também aparecia no mercado acionário. O Dow Jones alcançou uma nova máxima, enquanto o S&P 500 voltou a se aproximar de seu recorde histórico.
Dados de emprego seguem no radar
Depois da surpresa positiva na indústria, os investidores voltam as atenções para os indicadores do mercado de trabalho americano.
Entre os dados acompanhados está o relatório Jolts, que apresenta o número de vagas abertas na economia dos Estados Unidos. A expectativa citada na análise do Mercado Bitcoin era de 7,44 milhões de postos, ante 7,59 milhões no levantamento anterior.
Para o mercado cripto, os números de emprego influenciam as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Um mercado de trabalho ainda aquecido pode manter a pressão sobre salários e inflação, aumentando a possibilidade de juros elevados por mais tempo. Uma desaceleração moderada, por outro lado, pode reduzir as apostas em novos aumentos.
“O cenário mais positivo seria uma economia ainda resiliente, mas sem um mercado de trabalho forte demais a ponto de pressionar inflação e juros”, afirma Tota.
Segundo o executivo, o mercado ainda atribuía elevada probabilidade a duas altas de 0,25 ponto percentual nos juros americanos até o fim do primeiro trimestre de 2027.
Alívio geopolítico favorece apetite por risco
O Bitcoin também recebeu apoio da redução recente das tensões entre Estados Unidos e Irã e da queda das cotações do petróleo.
Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, afirma que a reação das criptomoedas após os sinais de trégua reforça a sensibilidade do setor às condições globais de liquidez.
“A alta do Bitcoin e das altcoins após a trégua recente entre Estados Unidos e Irã reforça a elevada sensibilidade das criptomoedas ao apetite por risco global. O arrefecimento das tensões no Oriente Médio e as consequentes quedas do petróleo e dos juros longos dos Treasuries elevaram o apetite por risco”, afirma.
Apesar do alívio, Girardi ressalta que o cenário macroeconômico continua desafiador, com perspectivas de juros elevados por mais tempo e forte competição por capital entre diferentes classes de ativos.
“Os criptoativos seguem muito sensíveis ao cenário macro, que permanece desafiador, em contraste com o ambiente microeconômico de resultados corporativos fortes nos Estados Unidos”, acrescenta.
Strategy vende 1.638 bitcoins
O mercado também repercutiu a venda de parte das reservas de Bitcoin da Strategy, maior companhia de tesouraria corporativa da criptomoeda.
Segundo a análise do Mercado Bitcoin, a empresa vendeu 1.638 BTC por aproximadamente US$ 104,7 milhões na semana encerrada em 2 de agosto.
Com a operação, a posição da companhia teria recuado de 843.775 para 842.138 bitcoins.
Parte dos recursos foi destinada ao pagamento de dividendos de ações preferenciais e à recompra de papéis STRC. A empresa também ampliou seu caixa em dólares para aproximadamente US$ 4 bilhões.
“À primeira vista, uma venda da principal acumuladora corporativa de Bitcoin poderia ser considerada negativa. Mas a operação teve um objetivo financeiro claro, com fortalecimento do caixa e redução de obrigações futuras”, afirma Tota.
Segundo o executivo, o valor em caixa seria suficiente para cobrir aproximadamente 2,3 anos de compromissos financeiros da companhia sem a necessidade de novas captações.
A ação preferencial STRC, citada na análise, avançou da região de US$ 71 no fim de junho para perto de US$ 92.
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BitMine amplia reservas de Ethereum
A estratégia de tesourarias corporativas também continua avançando no mercado de Ethereum.
A BitMine Immersion comprou mais 10.399 ETH na última semana, segundo as informações apresentadas pelo Mercado Bitcoin.
Com a aquisição, as reservas da empresa se aproximaram de 5,8 milhões de ETH, equivalentes a aproximadamente 4,8% da oferta circulante da criptomoeda.
A companhia realiza compras semanais de Ethereum desde a adoção de sua estratégia de tesouraria, em junho de 2025.
“O ponto mais importante é que a tese de tesourarias corporativas em cripto segue se expandindo para além do Bitcoin”, afirma Tota.
O Ethereum também apresentou desempenho superior ao Nasdaq 100 em julho. Segundo a análise, o ETH superou o índice de tecnologia em cerca de 2,5% no mês.
Sentimento permanece na região de medo
Apesar da recuperação dos preços, os indicadores de sentimento do mercado cripto continuam apontando cautela.
Girardi explica que os principais índices de medo e ganância permanecem na faixa classificada como “medo”, mesmo em sessões de valorização.
“Dada a dependência do setor em relação ao cenário macro e ao apetite por risco global, que seguem incertos, é natural que o sentimento de medo ainda permaneça presente, mesmo em dias de alta”, afirma o analista da Nomad.
Ele também destaca que o Bitcoin pode atuar como um elemento de diversificação em uma carteira, mas ressalta a necessidade de adequar a exposição ao perfil de risco e aos objetivos de cada investidor.
No curto prazo, o mercado acompanha a sustentação da média móvel de 200 semanas, os próximos indicadores de emprego dos Estados Unidos e as expectativas para a política monetária do Federal Reserve.






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