Jorge Maciel: «Estamos acima do que se esperava com o Lyon»


A décima primeira jornada da Liga francesa da primeira divisão de futebol masculino fica encerrada neste domingo, 02 de Novembro, com o confronto entre o Lyon e o Brest.

O Paris Saint-Germain, que venceu as quatro últimas edições do campeonato francês, conta com sete triunfos, três empates e uma derrota em onze jogos disputados.

No sábado, 01 de Novembro, o PSG venceu por 1-0 o Nice com o único tento da partida a ser apontado pelo português Gonçalo Ramos.

O PSG continua na liderança com 24 pontos, mais dois do que o Marselha, enquanto o Nice está no oitavo lugar com 17 pontos.

No que diz respeito aos outros candidatos aos lugares cimeiros da liga francesa, o Mónaco perdeu em casa por 0-1 frente ao Le Havre, enquanto o Marselha venceu por 0-1 na deslocação ao terreno do Auxerre. O Marselha ocupa o segundo lugar com 22 pontos, a dois pontos do líder, o Paris Saint-Germain, enquanto o Mónaco está na terceira posição com 20 pontos.

O Estrasburgo, o Lyon e o Lens ocupam os lugares do quarto ao sexto, ambos com 19 pontos e com menos um jogo.

O Lyon desloca-se ao terreno do Brest nesta décima primeira jornada da Liga Francesa de futebol masculino.

Recorde-se que o Lyon é um gigante adormecido. No seu historial, o clube venceu sete vezes a liga francesa, sendo o sexto clube com o maior número de títulos, e também arrecadou cinco Taças e oito SuperTaças.

De referir, no entanto, que o último título de Campeão de França para o Lyon foi em… 2008.

A equipa do Lyon é comandada pelo português Paulo Fonseca que tem como adjunto Jorge Maciel.

Neste momento, no banco de suplentes, apenas Jorge Maciel se pode sentar, isto porque Paulo Fonseca está suspenso.

No início de Março, quase no final de um jogo entre o Lyon e Brest a contar para a Ligue 1, após consultar o árbitro assistente de vídeo – VAR -, o árbitro principal, Benoit Millot, decidiu não dar uma grande penalidade ao Brest. No entanto, o treinador Paulo Fonseca, que orienta o Lyon, visivelmente irritado com a arbitragem, reagiu de forma violenta quando o árbitro lhe mostra o cartão vermelho, colando a sua testa à testa do árbitro, num momento de grande tensão.

Mais tarde, Paulo Fonseca desculpou-se publicamente, mas acabou por ser sancionado com nove meses de interdição de pisar os relvados.

Devido à suspensão, é Jorge Maciel, adjunto no Lyon, que orienta a equipa e fala à imprensa nas conferências.

Jorge Maciel, treinador-adjunto do Lyon.
Jorge Maciel, treinador-adjunto do Lyon. © AFP – ALEX MARTIN

No fim do jogo frente ao Paris FC, que terminou com um empate a três bolas na capital parisiense, na décima jornada, a RFI falou com Jorge Maciel, treinador-adjunto do Lyon, que já orientou como treinador-adjunto, entre outros clubes, o Al Ittihad Tripoli na Líbia, o Al Dhafra nos Emirados Árabes Unidos, o Sanat Naft no Irão, o Belenenses, o Rio Ave e o SL Benfica em Portugal, o Celta de Vigo em Espanha, o Nantes, o Lille e o Valenciennes em França, sendo que no Valenciennes foi já como treinador principal.

Em entrevista exclusiva à RFI, Jorge Maciel, treinador-adjunto do Lyon, admitiu que este empate frente ao Paris FC tem um sabor amargo visto que a sua equipa esteve a vencer por 3-0 até aos 65 minutos.

RFI: O que se pode dizer deste empate a três bolas?

Jorge Maciel: Guardámos um ponto, apesar de ser um ponto com sabor a derrota. Foi um encontro um bocado descontrolado. Fizemos o 3-0, que é algo difícil de fazer na primeira Liga francesa, e depois não conseguimos manter a vantagem. Acho que também nos expusemos um bocadinho. Não podemos sofrer um cartão vermelho como aconteceu, sobretudo sentindo que o árbitro estava como estava, completamente perdido. Nestas situações sabemos que, à mínima coisa, precisamos de ter mais prudência. Mas, acima de tudo, fomos eficazes. Houve eficácia e depois houve a capacidade de matar o jogo, mas não de o enterrar.

Mas como é que se pode explicar o descontrolo depois da expulsão do Abner, defesa brasileiro do Lyon?

Deixámos de conseguir pressionar. Nós sentimos que é uma equipa que tem muita necessidade de estar tudo muito direitinha ou se alguma peça muda, a coisa muda bastante para nós e, portanto, essa é a grande maturidade que nós temos de ter. Os cenários mudam, mas nós não podemos mudar e temos que manter mais ou menos a mesma linha.

Em relação ao campeonato, esta equipa está nos lugares cimeiros, isto é, está dentro do que se esperava?

Não, acho que nós estamos acima do que se esperava. Acho que se nos dissessem que hoje íamos à décima jornada jogar a possibilidade de ser primeiros, toda a gente dizia que éramos maluquinhos. Agora, face àquilo que tem sido a história dos jogos em que nós perdemos pontos, acaba por ser um bocado frustrante e nós podíamos já estar destacados, mas isto é um bocado a verdade da Liga francesa. Na décima jornada, não sei quantas equipas do topo-6 perderam com equipas que jogam a manutenção. Nós, contra as equipas de topo, não perdemos pontos. Temos perdido pontos com equipas que não se estão a bater pela Liga Europa ou pela Champions League. Portanto é essa a aprendizagem, é perceber que todos os jogos contam e que todos os jogos são importantes. Nós acreditamos que o melhor está para vir e será já no domingo, ganhando o jogo. O nosso foco é no próximo jogo dar uma resposta e ganhar o jogo. É partir numa outra dinâmica. Se nós continuarmos nesta lógica de pontos, estaremos bem no final. Agora a evolução tem que ser feita com esta dor, com estes pontos perdidos contra o Paris FC, contra o Toulouse e contra o Nice. Portanto, acreditando que a equipa vai evoluir, acho que há coisas boas para vir.

Até à pausa internacional, são dois jogos para o campeonato e um jogo da Liga Europa. Nove pontos conquistados, seria o ideal?

É o ideal, podemos assinar já e está fechado. O ideal seriam 12 em quatro jogos ou mesmo 15 pontos, com o jogo da semana passada. Mas é isso, o mais importante agora é recuperar bem, defrontar o Brest e conquistar os três pontos. Depois pensar na Liga Europa, uma outra competição, mas com a mesma ambição. E depois receber o Paris Saint-Germain em casa com ambição. Felizmente criámos um contexto bom de clube, a equipa está bem, está tranquila. Os resultados ajudam. O facto de andar mais lá em cima do que lá em baixo também ajuda. Portanto, é aproveitar um bocadinho, mesmo quando há pouco tempo para recuperar.

Em relação ao Jorge, como é que tem sido este papel de ter que substituir o Paulo Fonseca (ndr: treinador principal) não só no banco, mas também nas conferências de imprensa?

É algo que o facto de ter passado também já pelo cargo de treinador principal, o facto de ter muita visibilidade na imprensa no Benfica, nomeadamente em que falávamos todos os três dias, acaba por ajudar um bocadinho. É uma dinâmica diferente, é uma dinâmica que não é ideal para ele, sobretudo porque tem uma energia. Também tem esta questão de os eventos acontecerem, e a comunicação não ser tão directa, portanto não é o ideal, mas é algo a que nós nos adaptamos bem. A equipa continua a ser estável, os jogadores também ajudam muito nisto. O facto de termos uma equipa e um grupo estável, e um grupo que também percebe bem, ajuda. Preparar bem os jogos ajuda-nos muito a antecipar cenários. 

Jorge Maciel, treinador-adjunto do Lyon 31-10-2025

Jorge Maciel, treinador de futebol, ex-adjunto no Lille. Imagem de Arquivo.
Jorge Maciel, treinador de futebol, ex-adjunto no Lille. Imagem de Arquivo. © Cortesia Jorge Maciel



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