Brasil teve várias oportunidades, diz porta-voz dos EUA – 04/08/2026 – Mundo


Após o anúncio da revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, um porta-voz do Departamento de Estado chamou a ação de “recíproca” e disse que os Estados Unidos mantiveram contato contínuo com o governo brasileiro por semanas e deram a Brasília todas as oportunidades para fazer “a coisa certa”.

O anúncio da sanção contra Viotti acontece cerca de dez dias depois de o Itamaraty negar o visto a funcionários americanos que viriam ao país questionar as eleições.

Em conversa com jornalistas, o porta-voz disse que a revogação será cancelada se o Brasil conceder aval para que o representante indicado pelos EUA, Daniel Perez, assuma suas funções como novo embaixador em Brasília —um procedimento conhecido no jargão diplomático como agrément.

Segundo o Departamento de Estado apesar das tentativas de Washington, Brasília continuou adiando e dificultando o processo. Dessa forma, a revogação do visto seria uma medida de reciprocidade.

A diplomata brasileira ainda não será expulsa dos EUA, contudo. Caso Viotti deixe os Estados Unidos, terá de solicitar um novo visto para retornar ao país, esclareceu o porta-voz —que, ao mesmo tempo, disse que novas medidas não estão descartadas caso o governo Lula não aceita a indicação de Perez, insinuando que Viotti ainda pode ser forçada a sair.

Ademais, o nome escolhido por Trump ainda não foi aprovado pelo Senado dos EUA. No último dia 22, um comitê da Casa deu o aval para que a escolha de Perez vá ao plenário, mas isso ainda não ocorreu —e, no próximo dia 10, o Legislativo americano entra em recesso até o dia 14 de setembro.

O porta-voz do Departamento de Estado reiterou ainda que cabe ao presidente Donald Trump decidir quem representará os interesses dos Estados Unidos no exterior e afirmou que o republicano está formando uma equipe diplomática alinhada à política America First (“América em Primeiro Lugar”, em tradução livre), principal lema de sua política externa.

Por fim, afirmou que os Estados Unidos rejeitam qualquer tentativa de países estrangeiros de interferir em nossos processos internos, embora a concessão de agrément seja praxe na diplomacia mundial e praticada também por Washington.

Embora tenham se passado mais de 30 dias desde a solicitação do agrément de Perez ao Brasil, o processo de sua nomeação se arrasta por mais tempo: são mais de dois meses desde que Trump anunciou seu nome, medida tomada antes mesmo de consulta ao governo brasileiro —o que também é incomum na diplomacia.



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