“Não é difícil imaginar que, com uma canetada, Trump bloqueie o Irã para a Copa”, diz especialista
A consequência imediata da guerra no Oriente Médio para a Copa do Mundo é saber se o Irã irá ou não participar da competição. Crédito: Marcel Rizzo | TV Estadão
A quarta-feira começou movimentada com a confirmação, por parte do Irã, de que a seleção de seu país não vai estar presente na Copa do Mundo deste ano sob a alegação de que o contexto de guerra no Oriente Médio inviabiliza a participação no torneio. Este cenário, no entanto, está longe de ser incomum e deixa um legado que vem desde o primeiro Mundial, realizado no longínquo ano de 1930, no Uruguai, até o pós-Mundial, com o boicote da Uefa a competições da Fifa.
Os países filiados à associação europeia anunciaram na última quinta-feira, 30, que não disputarão torneios organizados pela maior entidade do futebol. O motivo disso é o programa de venda de direitos comerciais projetado para a edição de 2030 em diante, em mais um capítulo de uma briga entre o velho continente e Gianni Infantino, que já se estende por vários meses. Serias mais um capítulo de desistências entre vários que já ocorreram na história.
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Apenas quatro seleções europeias marcaram presença na edição de 1930. França, Bélgica, Romênia e Iugoslávia representaram o velho continente enquanto sete nações da América do Sul entraram na disputa. Estados Unidos e México completaram a lista de participantes. Assim, o Mundial do Uruguai teve o país anfitrião como campeão em uma decisão disputada contra a Argentina, numa das raras finais entre sul-americanos.
O “desprezo”, ou falta de interesse em atravessar o oceano por parte dos europeus trouxe consequências quatro anos depois. Campeões da primeira edição, os uruguaios se recusaram a defender o título em 1934, na Itália, como forma de boicote aos europeus.

O Irã desistiu de disputar a Copa do Mundo de 2026 por causa da guerra no Oriente Médio. Foto: AFP
A questão aflorou a rivalidade entre sul-americanos e europeus com a decisão da Fifa de realizar a Copa na França em vez de manter o rodízio de sedes entre os continentes. Argentinos e uruguaios desistiram de competir e tiveram a adesão de outros vizinhos da América do Sul. O Brasil, no entanto, não seguiu essa tendência e terminou em terceiro lugar no Mundial de 1938.
Considerada por muitos como o berço do futebol, a Inglaterra também entra nesse contexto, assim como os países da Grã-Bretanha. Essas seleções, que inicialmente não valorizavam este torneio de seleções, só passaram a participar das edições de Copa a partir de 1950, quando o Mundial foi sediado no Brasil.
Por conta da logística, França, Portugal, Irlanda e Turquia abriram mão de deixar a Europa por causa do alto custo das longas viagens. Mas o boicote também veio por parte dos “hermanos”. Após o cancelamento das Copas de 1942 e 1946 por causa da Segunda Guerra, a Argentina se achava no direito de sediar a competição em 1950. A escolha do Brasil gerou protestos da AFA (Associação de Futebol Argentina) que decidiu não participar.
Outra edição que teve um cenário conturbado neste sentido foi em 1966, quando 16 seleções africanas deram início a um protesto contra a Fifa reivindicando uma vaga direta sem ter de disputar uma eliminatória com representantes de um outro continente. A pressão deu resultado e, quatro anos depois, no México, o Mundial passou dar uma vaga direta para a África e também para a Ásia.
Pulando para os anos 80, o próprio Irã voltou a ser personagem de uma desistência. No auge da guerra Irã-Iraque, a Fifa determinou que os dois países não poderiam exercer o mando de campo em casa por questões de segurança. Ao contrário do Iraque, que aceitou jogar como mandante em países como o Kwait e a Arábia Saudita, os iranianos não “digeriram” a regra da entidade que comanda o futebol e ficaram de fora da Copa do Mundo do México, em 1986.









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