Moçambique – O fluxo de passageiros entre Moçambique e a África do Sul continua longe da normalidade após a vaga de ataques xenófobos registada no país vizinho. Enquanto milhares de moçambicanos regressaram para fugir à violência, poucos arriscam agora fazer o percurso inverso. Ainda assim, para muitos, a necessidade de garantir sustento sobrepõe-se ao medo.
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A procura por transporte de passageiros entre Moçambique e a África do Sul continua abaixo do habitual, sobretudo no sentido Maputo-África do Sul, após a vaga de ataques xenófobos que levou milhares de moçambicanos a abandonar o país vizinho.
Celso Jotal, motorista na rota Maputo-Durban desde 2007, afirma que o número de passageiros que pretende seguir para a África do Sul continua reduzido. “A gente não tem passageiros. Só temos de lá para cá. Só agora é que vai aparecendo um ou outro que tem coragem de voltar”, disse.
Antes da crise, Celso Jotal fazia regularmente a viagem de cerca de 550 quilómetros com a carrinha lotada. Agora, é frequente partir com apenas quatro ocupantes, incluindo o ajudante. Apesar da quebra da procura e do receio provocado pelos ataques, continua a trabalhar por não ter outra forma de sustentar a família. “Não temos nenhuma segurança. É só rezar quando saímos”, lamenta.
A mesma realidade é descrita por Guilherme, transportador na ligação entre Maputo e Joanesburgo, que diz que o movimento continua a fazer-se quase exclusivamente no sentido inverso. “As pessoas só estão a voltar, não estão a ir para a África do Sul”, descreve, acrescentando que muitas viaturas partem com apenas quatro passageiros.
Segundo Frederico Lopes, presidente da associação Moçambique-África do Sul Transportes Associados (Mozata), o regresso de passageiros para a África do Sul começou de forma gradual, mas a procura continua insuficiente para repor o ritmo normal das viagens.
Entre os poucos que decidiram regressar está Adilton Moiane, de 23 anos, que voltou temporariamente a Maputo para regularizar a documentação e prepara-se para regressar a Joanesburgo, onde mantém um salão de estética. Apesar dos riscos, considera que não tem alternativa. “É muito arriscado, mas estamos a enfrentar a situação”, afirma, explicando que a falta de oportunidades de trabalho em Moçambique o obriga a regressar ao país vizinho.
Os ataques xenófobos, intensificaram no final de Maio em várias zonas da África do Sul, provocaram o regresso de milhares de moçambicanos. Cerca de 1.500 cidadãos foram repatriados pelas autoridades, enquanto muitos outros regressaram pelos próprios meios.









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