O Livre enviou hoje uma carta ao primeiro-ministro a pedir que Portugal não organize conjuntamente com Marrocos o mundial de futebol de 2030, na sequência da entrada massiva de migrantes em Ceuta oriundos daquele país do norte de África.
Na missiva, assinada por todo o Grupo Parlamentar do Livre, os deputados apelam a Luís Montenegro, que manifeste publicamente a oposição do Governo português “à manutenção de Marrocos como país parceiro para o Campeonato Mundial de Futebol em 2030”.
“Percebendo a sensibilidade do assunto, esperamos que a diplomacia e contacto com a Real Federación Española de Fútbol e o governo espanhol seja feita tão rapidamente quanto possível, de modo a tomar uma decisão que não impacte a organização do campeonato e o papel organizativo de Portugal e Espanha”, referem.
Já na terça-feira, o porta-voz do Livre Jorge Pinto tinha defendido esta posição numa publicação numa rede social, na qual pedia que os portugueses não ficassem “tristemente associados à organização com um país que mostrou não ter capacidade nem dar confiança”.
O Livre leva agora diretamente o assunto ao primeiro-ministro, considerando que se tornou “insustentável a participação de Marrocos” na organização do próximo campeonato mundial de futebol, juntamente com Portugal e Espanha.
“Ao desrespeito do direito internacional para o qual o Livre tem vindo a alertar – como as décadas de violações sistemáticas por parte do regime marroquino dos Direitos Humanos do seu próprio povo ou a negação da autodeterminação e repressão violenta do povo saarauí e o não cumprimento da realização do referendo de autodeterminação – adiciona-se, mais recentemente, a instrumentalização de cidadãos marroquinos em Ceuta, inclusivamente de jovens, mulheres e crianças para um ataque às fronteiras com Espanha, com consequências trágicas”, afirma.
O partido considera que “este acontecimento confirma que não existem condições nem garantias políticas de segurança e de cooperação leal entre Marrocos e Espanha e Portugal para manter esta coorganização”.
“Os governos de Portugal e Espanha, em conjunto com a UE e a UEFA, devem deixar claro que, tal como inicialmente previsto, é apenas entre Portugal e Espanha que se verificam as condições para a realização do evento. Se ambos os países cumprem – pois cumprem – todos os requisitos para a coorganização do Campeonato do Mundo de 2030, não podem estes países ser prejudicados, devendo manter-se como coorganizadores”, defende
Nesta carta, o Livre sustenta também que o Estado português e as entidades desportivas nacionais não devem permitir que “Portugal se associe a Marrocos na organização de um evento desta dimensão, atentas não só a coerência da política externa nacional, incluindo a promoção e defesa de Direitos Humanos, mas também as exigências logísticas, de segurança e de responsabilidade inerentes à organização do próprio evento e que tomam particular relevância num momento em que Portugal assumirá, em breve, funções como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas”.
A organização do Mundial de futebol de 2030 foi atribuída a Portugal, Espanha e Marrocos. O evento deverá decorrer entre 08 de junho e 21 de julho de 2030.









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