O presidente da Fifa, Gianni Infantino, está reunido nesta quarta-feira, no Marrocos, com altos dirigentes da entidade, em meio às críticas ao seu plano abortado de abrir a organização ao investimento privado.
A reunião está acontecendo na sede da Fifa para a África, no complexo Mohammed 6º, em Salé, perto de Rabat.
Em uma das entradas do complexo, uma jornalista da AFP viu passar vários veículos, entre eles três vans com vidros escurecidos.
A reunião não foi aberta à imprensa, segundo uma fonte próxima ao assunto.
Até o momento, são desconhecidos os motivos exatos da escolha do Marrocos para sediar a reunião. O país será coanfitrião da Copa do Mundo de 2030, ao lado de Espanha e Portugal. Argentina, Paraguai e Uruguai também receberão uma partida cada.
Infantino, no entanto, já se encontrava no reino alauíta por ocasião da Festa do Trono, na semana passada.
Mal-estar interno
À frente da Fifa há dez anos, Gianni Infantino vem multiplicando projetos de grande impacto, a ponto de anunciar, na semana passada, a intenção de criar uma empresa externa para administrar as atividades comerciais da entidade e torneios como as Copas do Mundo, com a entrada de investidores privados.
Apresentado de surpresa na terça-feira passada, depois de ter sido revelado pela imprensa, o projeto acabou sendo retirado no fim da semana diante da oposição de diversos atores do futebol, entre eles a confederação europeia (Uefa).
Vários altos dirigentes da Fifa se distanciaram de Infantino nos últimos dias, entre eles Arsène Wenger, atual diretor de desenvolvimento do futebol mundial da entidade, e o secretário-geral, Mattias Grafström.
Este último, em uma carta dirigida aos funcionários da Fifa à qual a AFP teve acesso, lamentou “uma série de acontecimentos tristes e condenáveis” que “felizmente culminaram no abandono definitivo” do projeto.
O principal assessor de Gianni Infantino, Carlos Cordeiro, já havia renunciado na sexta-feira, afirmando ser “categoricamente” contrário ao projeto de Infantino.
Pressões externas
Além da oposição dentro da Fifa, há pressão externa, principalmente da poderosa Uefa, mas também da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), que, após terem feito naufragar o projeto da FFE, criticaram Infantino diretamente.
Em uma carta enviada na sexta-feira à Fifa, a Uefa “notifica oficialmente que está considerando ativamente tomar medidas legais”.
Até o momento, Infantino é o único candidato declarado à reeleição para a presidência da Fifa, em uma votação que será realizada em março de 2027, em Rabat.
O ítalo-suíço de 56 anos precisa da maioria das 211 federações filiadas para obter um novo e último mandato de quatro anos. Até agora, algumas federações —Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia— retiraram oficialmente seu apoio.
O príncipe Ali ben Al Hussein, presidente da Federação Jordaniana de Futebol, acusou Infantino, na terça-feira, de “chantagem”.
“Durante meses, a Fifa se recusou a nos ajudar nessas ou em outras questões, até que me disseram verbalmente, durante a Copa do Mundo, que, se eu apoiasse Infantino, isso contribuiria significativamente para ajudar nossa federação”, declarou o dirigente no X.











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