Infantino oferece final da Copa ao Marrocos em troca de apoio


Desde que a Fifa Forward Enterprise e o plano de vender ações da Copa do Mundo para investidores privados desmoronaram, Gianni Infantino tem perdido cada vez mais apoiadores em sua tentativa de reeleição como presidente da Fifa. Se, antes da proposta ser descoberta, a previsão era de que o italiano fosse reeleito sem opositores, agora, Infantino tem chance de sequer terminar o mandato.

Tendo a Europa como principal opositora, e sendo rejeitado na América do Norte e na Ásia, Infantino recorreu a seus aliados na África e na Arábia. O presidente se tranferiu para Rabat, no Marrocos, em um escritório da Fifa inaugurado no ano passado e, de acordo com o The Times, ofereceu a final da próxima Copa do Mundo (que será sediada por Espanha, Portugal e Marrocos) ao país em troca de apoio. No entanto, opositores afirmam que essas promessas devem ser revertidas quando Infantino deixar o poder.

Ele também convocou uma reunião de emergência em Rabat com seus principais assessores e aliados dentro da organização, na tentativa de sair por cima de alguma forma.

Sem apoio

Aqueles que ainda são leais a Infantino têm tentado persuadir federações a emitirem cartas em apoio ao presidente, mas com pouco sucesso. Até o momento, apenas sete federações saíram publicamente em defesa de Infantino: Catar, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Egito, Sri Lanka, Líbano e Kuwait.

Embora Catar e Emirados Árabes sejam influentes dentro da confederação asiática, a Arábia Saudita, uma das principais aliadas do presidente da Fifa nos últimos anos, ainda não se manifestou. O país foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2034.

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As tentativas de conseguir apoio de Fifa Legends, ex-jogadores históricos que são pagos pela Fifa para marcar presença em eventos e torneios, também se mostraram infrutíferas. Nas redes sociais, Infantino tem compartilhado fotos tiradas com esses jogadores durante a Copa do Mundo, como forma de tentar limpar sua imagem.

Pressão pela renúncia

Federações e confederações de futebol não são os únicos mobilizados pela renúncia de Gianni Infantino. Nesta quarta-feira, em uma coluna no Daily Mail, o ex-jogador português, ídolo do Real Madrid e conselheiro da UEFA, Luís Figo, pediu a saída do presidente.

“Hoje eu me junto a outros tantos e peço a renúncia de Gianni Infantino como presidente da Fifa. Ele enfraqueceu o posto que prometeu elevar. Mentiu, enganou e tentou forrar o próprio bolso em detrimento do esporte ao qual ele deveria servir”, escreveu Figo. “É tarde demais para que ele recupere sua dignidade, mas ainda há tempo de salvar o futebol.”

O ex-jogador teceu duras críticas ao presidente, questionando os comportamentos dissimulados quanto às propostas recentes da Fifa. “Se o plano era tão bom quanto ele dizia, por que a ideia não foi apresentada abertamente?”

A Associação das Ligas Europeias, que representa mais de mil times em 37 ligas de futebol no continente europeu, também se manifestou contra Infantino e “as decisões unilaterais” que a Fifa tem tomado em nome do futebol. Especificamente, a associação criticou um relatório de pesquisa sobre a expansão da Copa de 2030 para 64 seleções, que foi divulgado com algumas agências sem consultar federações, ligas ou jogadores.



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