Afortunado Serafim das Neves
Depois do teu último e-mail, fui ver as sardinhas aos super-mercados e peixarias. Ainda bem que o fiz porque alarguei os meus horizontes e aprendi algo que desconhecia. Num deles encontrei, em promoção, sardinhas selvagens. Pelo menos era o que dizia o cartaz.
Perguntei se também tinham sardinhas domésticas, para comparar preços, frescuras e tamanhos, mas a jovem que estava no atendimento, puxou do manual e limitou-se a responder que só havia o que estava à vista.
Não te posso dizer se as sardinhas selvagens tiveram que ser pescadas com redes de aço ou se tentaram atacar o pessoal da traineira à dentada, mas após grelhadas, não se distinguiam das outras sardinhas que já comi este ano. E se fiquei com alguma azia foi por causa do preço, ou do pepino da salada.
Um dia destes, graças à imaginação dos publicitários, ainda vamos encontrar nas lojas, açúcar selvagem, batatas selvagens e salsichas selvagens, para além dos já existentes, preços selvagens. E é bom que assim seja, para desenjoarmos dos produtos vegan, sem glúten, ou biológicos. As mudanças na alimentação são fortemente recomendadas e a oferta está a dar a resposta que se impõe.
Fiquei feliz com os rendimentos milionários de grande parte dos autarcas da câmara municipal de Benavente. Ali mora gente que, não anda na política para se encher, como dizem por aí. Autarcas que não precisam da política para nada, para além do gosto pela política e por trabalharem em nome do povo.
Longe vão os tempos dos presidentes e vereadores pelintras, com vencimentos de professores ou funcionários públicos. Agora já há quem declare milhões em criptomoedas e casa nas Bahamas. Razão têm aqueles que dizem que estamos com un nível de vida de fazer inveja aos países do G7.
Pelo que li, vai deixar de haver Institutos Politécnicos. Passam todos a Universidades, incluindo o de Santarém. É um grande avanço. Quanto mais não seja para a auto-estima dos estudantes. É verdade que os Politécnico já tinham licenciaturas, mas uma coisa é uma licenciatura politécnica, digamos assim, e outra é uma licenciatura universitária.
Presumo que, a seguir, as escolas secundárias passem a politécnicos e as escolas básicas a escolas secundárias. Com tanta melhoria no ensino, é bom provável que os bebés nasçam logo a saber ler e a fazer contas…mesmo os que nasçam em ambulâncias.
Enchi a alma e as vistas numa das praias do Oeste. Nalgas e barrigas à farta, de todos os feitios e de todas as idades, ostentadas com orgulho e sem preconceitos, por cidadãos e cidadonas, como se dizia nos tempos da geringonça. Que bela que é a liberdade dos corpinhos ao léu.
Saudações estivais
Manuel Serra d’Aire







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