EUA: participação do trabalho recua ao menor nível – 06/08/2026 – Economia


Os trabalhadores dos Estados Unidos viram novamente sua fatia da economia do país cair para uma mínima histórica no segundo trimestre, em meio a um contínuo boom de produtividade que está gerando ganhos de produção superiores ao crescimento dos salários, informou nesta quinta-feira (6) a Agência de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS, na sigla em inglês).

A chamada participação do trabalho no PIB (produto interno bruto nominal), definida pelo BLS como a porcentagem da produção destinada aos trabalhadores na forma de remuneração, caiu de 53,7% no primeiro trimestre para 52,9% no segundo.

Esse foi o menor nível desde o início da série histórica, em 1947, informou o BLS ao divulgar um crescimento da produtividade no segundo trimestre acima do esperado.

A participação do trabalho vem caindo há décadas, impulsionada por fatores como a redução do alcance e do poder dos sindicatos e a globalização, que transferiu empregos industriais com salários relativamente altos para centros de produção de baixo custo no exterior.

Mais recentemente, a economia tem presenciado avanços tecnológicos, como a automação e, potencialmente, a inteligência artificial, que permitem às empresas aumentar a produção sem ampliar substancialmente o quadro de funcionários.

Na prática, essa tendência significa que os benefícios dos ganhos de produtividade estão sendo direcionados mais aos empresários e acionistas do que aos trabalhadores por meio de aumentos salariais.

Os rendimentos semanais reais —que medem o crescimento dos salários em relação à inflação— permaneceram praticamente inalterados no primeiro semestre de 2026, embora os dados mais recentes, referentes a junho, tenham interrompido uma sequência de três meses de queda e registrado o melhor resultado em seis anos.

Já o número de norte-americanos que solicitaram auxílio-desemprego aumentou ligeiramente na semana passada, enquanto as demissões caíram para o menor nível em dois anos em julho, o que reflete a estabilidade do mercado de trabalho.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego subiram para 199 mil em dado ajustado sazonalmente na semana encerrada em 1º de agosto, informou o Departamento do Trabalho nesta quinta-feira. Economistas consultados pela Reuters previam 202 mil pedidos para a última semana.

Os pedidos caíram consideravelmente desde o pico registrado no início de junho. Embora parte dessa queda reflita dificuldades no ajuste dos dados às flutuações sazonais do verão, as demissões permaneceram em níveis muito baixos, apesar do choque nos preços do petróleo causado pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

Também não há sinais de perdas generalizadas de empregos relacionadas à expansão da inteligência artificial, com as demissões restritas principalmente ao setor de tecnologia.

Um relatório separado da empresa global de recolocação profissional Challenger, Gray and Christmas, divulgado nesta quinta-feira, mostrou que os cortes planejados por empregadores sediados nos EUA caíram 27%, para 33,4 mil em julho, o nível mais baixo desde julho de 2024. As demissões anunciadas caíram 46% em relação ao ano anterior. As demissões planejadas até agora neste ano estão 41% abaixo do mesmo período de 2025.

“O ritmo das demissões caiu drasticamente neste verão”, disse Andy Challenger, diretor de receitas da Challenger, Gray and Christmas. “Os planos de demissão continuam sendo anunciados principalmente no setor de tecnologia, e a inteligência artificial continua sendo o tema central, à medida que os investimentos nessa tecnologia remodelam as organizações.”

A estabilidade do mercado de trabalho dá ao Federal Reserve margem para se concentrar nas repercussões da inflação decorrentes do conflito no Oriente Médio, que já está em seu sexto mês, afirmaram economistas.

O banco central dos EUA manteve na semana passada sua taxa básica de juros na faixa de 3,5% a 3,75%. Três membros do comitê de política monetária do Fed discordaram, defendendo um aumento de 0,25 ponto percentual.



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