A UEFA anuncia, esta quinta-feira, boicote das seleções europeias à FIFA, a não ser que a proposta para abrir a exploração financeira das competições internacionais a investimento externo minoritário seja retirada.
O organismo que rege o futebol europeu e as suas 55 federações-membro “rejeitam unânime e inequivocamente” o plano divulgado pela FIFA.
“A posição da Europa é clara. Nunca emprestaremos a nossa legitimidade a este modelo. Ninguém tem a autoridade moral de vender o que meramente detém em regime fiduciário para a geração seguinte. Como resultado das conversas de hoje [esta quinta-feira], nenhuma seleção nacional da UEFA irá participar em qualquer competição da FIFA enquanto esta proposta se mantiver viva, a não ser que seja abandonada por inteiro e garantias vinculativas sejam dadas de que a FIFA nunca mais abrirá a sua governação ou as suas competições à participação privada”, clama a UEFA, em comunicado no site oficial, esta quinta-feira.
Este boicote pode colocar em risco a realização do Mundial 2027 e, em concreto, a participação das seleções europeias — há quatro já apuradas, Alemanha, Dinamarca, Espanha e França. Portugal vai participar, em outubro, no play-off europeu de acesso e ainda poderá disputar, em fevereiro de 2027, o play-off intercontinental.
A Renascença questionou a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a UEFA sobre o que este boicote pode significar para o futebol feminino. O organismo europeu ainda não tinha respondido, às 18h00 desta quinta-feira. Já fonte da FPF remeteu para o comunicado da UEFA.
“Profundo falhanço de liderança”
A UEFA reforça que “o Mundial não está à venda” e que “não pode ser tratado como um produto de investimento”. Além disso, considera “irresponsável e indefensável que uma proposta desta significância” tenha sido “concebida em segredo e trazida ao limiar da aprovação sem qualquer consulta significativa” com os demais decisores do futebol.
“Isto é não só um profundo falhanço de liderança, mas também um abdicar do dever da FIFA como guardiã do futebol”, lê-se na nota oficial.
A UEFA considera que o “ultimato” apresentado pela FIFA às federações-membro — concordar com os planos e receber 10 mil milhões de dólares, ou não aceitar e só receber 2,7 mil milhões se forem para a frente na mesma — “não é uma ‘decisão democrática’, mas sim governação por intimidação” e um “ato de coação indigno” da instituição.
“Que ninguém tenha quaisquer dúvidas: a UEFA e as suas federações opor-se-ão a estes planos com absoluta determinação. Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão preparadas para aceitar, mas pelo que se recusam a ceder. Este é um desses momentos. Algumas coisas são, simplesmente, demasiado importantes para vender. O Mundial pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, nunca estará à venda”, conclui a UEFA, em comunicado.
O que está em causa
A FIFA anunciou, na quinta-feira, que pretendia convidar investimento externo, minoritário, numa subsidiária que passaria a controlar os direitos comerciais (transmissão e patrocínios) das suas competições, alegando que “todos os lucros” seriam reinvestidos no futebol e que o organismo reteria “autoridade exclusiva sobre a governação do futebol”.
Segundo o jornal “The Times”, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, deu até 19 de setembro às federações para tomarem uma posição. Se aceitarem, recebem 10 mil milhões de dólares, mas se não concordarem e o plano for para a frente, só recebem 2,7 mil milhões.
Entre os possíveis investidores, estará a Thrive Eternal, uma empresa com ligações a Donald Trump. O Presidente dos Estados Unidos aproximou-se de Infantino nos últimos tempos, tendo até sugerido, de acordo com jornal norte-americano “New York Post”, o ítalo-suíço como sucessor de António Guterres no cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas.









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