Em entrevista, Mauro Vieira pede fim das “agressões de Milei contra Lula”


O chanceler brasileiro Mauro Vieira disse em entrevista ao jornal argentino Clarín que a normalização das relações bilaterais entre Brasil e Argentina depende da interrupção das “agressões verbais e recorrentes do presidente argentino, Javier Milei, direcionadas ao Brasil, às suas instituições e ao responsável pela Suprema Corte brasileira”.

Vieira enfatizou que a relação histórica e comercial entre as duas nações é primordial e superior a quem estiver no poder em qualquer momento.

As declarações foram dadas em Cali, na Colômbia, onde o principal diplomata brasileiro liderou a delegação brasileira na cerimônia de posse do presidente Abelardo de La Espriella na sexta-feira (7).

Mauro Vieira também classificou como “totalmente falsas” e “invenções” as alegações do presidente argentino de que o Brasil teria financiado de forma bilionária a campanha do candidato presidencial Sergio Massa, esclarecendo que as visitas de Massa ao Brasil ocorreram no âmbito de funções estritas do Ministério da Economia.

O chanceler também falou sobre as tensões nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos. Segundo Vieira, a escalada aconteceu depois que os Estados Unidos “descumpriram a Convenção de Viena ao realizar uma consulta ao governo brasileiro de forma pública sobre seu candidato a embaixador no Brasil”, após passarem mais de um ano e meio sem representação no país.

Diante da demora brasileira em conceder o agrément, Washington suspendeu o visto da embaixadora do Brasil como medida de pressão. O chanceler destaca que essa pressão ocorreu em meio a comentários do Departamento de Estado sobre o sistema eleitoral brasileiro e pedidos de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O chanceler enfatizou que a suspensão do visto de Maria Luiza Viotti, embaixadora do Brasil nos EUA, foi uma forma de pressionar pela aceitação do candidato do governo Trump, Daniel Perez. No entanto, Vieira disse que o pedido para a concessão do agrément foi sequer encaminhado ao presidente Lula. “Ele [Lula] está muito ocupado a dois meses da eleição”.

Parcerias comerciais e sanções

Vieira pontuou que o Brasil adota uma postura pragmática e firme de não alinhamento automático. Diante das exigências de Washington para reduzir a influência da China na região, o chanceler reforçou que o país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil, enquanto os EUA ocupam o segundo lugar.

O ministro afirmou, ainda, que rejeita categoricamente a imposição de sanções e pressões comerciais externas, defendendo que a única via eficaz de resolução é a negociação baseada no interesse nacional, independentemente das posições ideológicas dos governos parceiros.



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