Ao superar o Fortaleza e avançar para as quartas de final da Copa do Brasil, na última quarta (5), o Palmeiras deu mais um passo na ambiciosa meta de ter uma temporada “perfeita”. Campeão paulista, o Verdão lidera o Brasileirão com folga e continua vivo nos dois principais torneios de mata-mata do calendário (Libertadores e a própria Copa do Brasil). Com elenco jovem e de altíssimo valor de mercado, considerado internamente como o melhor da era Abel Ferreira, a missão é fazer o que nenhum clube conseguiu até hoje. Ou seja, conquistar os três maiores campeonatos na mesma temporada do futebol brasileiro.
Em 2025, o Palmeiras viveu um cenário inédito com o técnico português ao terminar o ano de mãos abanando. Nas cinco temporadas anteriores, a equipe havia conquistado ao menos um título. Não à toa, Abel tornou-se o maior vencedor da história do clube. Por isso, a interrupção dessa sequência levou a diretoria a fazer contratações de impacto, suprindo carências do elenco. Além disso, resistiu à cobiça de clubes europeus por jovens em alta, como Flaco López e Allan.
“Ganhar títulos. Isso é o que me motiva, por isso estou no Palmeiras. É o que temos feito nos últimos anos. O elenco do Palmeiras, hoje, vale R$ 1,4 bilhão. A equipe mais jovem que luta por títulos é o Palmeiras, que teve gestões responsáveis, ganhou e investiu. É o que me faz acreditar e estar aqui”, revelou Abel Ferreira após a partida contra o Fortaleza, na última quarta (5).
O valor citado por Abel coincide com as estimativas do Transfermarkt, especializado no tema. Principal rival do Palmeiras em poderio financeiro e briga por títulos nesta década, o Flamengo tem elenco avaliado em cifras próximas a essas, cerca de R$ 1,25 bilhão. Porém, é na juventude mencionada pelo treinador que os paulistas levam vantagem. A média de idade do elenco do Verdão é de 27,3 anos, enquanto a do rival é de 30 anos. Em um calendário inchado, com jogos encavalados, esse índice pode ser determinante no desempenho e resultados.
Fechado para o mercado internacional
No fim de julho, o Palmeiras resistiu às investidas de clubes europeus por dois jogadores importantes para o esquema de Abel. O Spartak Moscou, da Rússia, ofereceu 20 milhões de euros (cerca de R$ 117 milhões na cotação atual) pelo atacante Flaco López, de 25 anos. Na mesma semana, o inglês Aston Villa se mostrou disposto a desembolsar 30 milhões de euros (cerca de R$ 176 milhões) por Allan, revelação da base de 22 anos. Em ambos os casos, o clube manifestou que não deseja negociar os atletas neste momento.
Artilheiro da equipe pela terceira temporada consecutiva, Flaco ganhou ainda mais projeção ao disputar a Copa do Mundo com a Argentina. O Atlético de Madrid também chegou a fazer consultas pelo jogador. Já Allan, que passou a frequentar a equipe titular neste ano, foi alvo do Napoli no início da temporada. Na ocasião, também ouviu uma negativa da cúpula palmeirense
“Nenhum dos jogadores que atuam com frequência vai sair”, declarou a presidente Leila Pereira ao portal GE no início de junho. Meses depois, a disposição da dirigente se confirmou, mostrando como o projeto esportivo é prioritário em seu quinto ano e segundo mandato à frente do clube.
Além disso, o elenco ganhou robustez com contratações de primeira linha. Marlon Freitas e Alexander Barbosa, campeões brasileiros pelo Botafogo em 2024, e o ex-Fluminense John Arias, titular da Colômbia na Copa do Mundo, encorparam o time.
Com essa política, o Palmeiras espera compensar o provável aumento do déficit com conquistas que darão premiações e irão valorizar ainda mais atletas para futuros negócios. No fim de 2025, Abel renovou o contrato até o fim de 2027 vislumbrando novas realizações.
Chegar até onde ninguém chegou
O desejo de conquistar todos os títulos da temporada, avolumando ainda mais os feitos da era Abel, coloca o Palmeiras diante de um desafio sem precedentes. Afinal, nenhum clube até hoje foi campeão brasileiro, da Copa do Brasil e da Libertadores no mesmo ano. Na última década, foi comum haver uma dobradinha de duas dessas competições, porém sempre com o “sacrifício” de uma terceira.
Em 2019 e 2025, o Flamengo conquistou o Brasileirão e também a Libertadores, feito repetido pelo Botafogo em 2024. Antes, apenas o Santos de Pelé havia combinado as conquistas, em 1962 e 1963. Na época, a principal disputa nacional era a Taça Brasil, que foi equiparada ao Brasileirão pela CBF em 2010. Porém, vale lembrar que o Peixe ainda foi bicampeão mundial nessas temporada gloriosas, uma tríplice coroa que é façanha sem par na história de um clube do país.
Já o Atlético-MG “casou” as conquistas de Copa do Brasil e Brasileirão na mesma temporada, em 2021. Dessa forma, igualou o feito do arquirrival Cruzeiro, que fez a dobradinha em 2003. Por sua vez, o Palmeiras é dono de uma composição vitoriosa única. O clube conquistou Libertadores e Copa do Brasil da temporada de 2020, a primeira de Abel – as finais foram disputadas no início de 2021 devido à pandemia de Covid-19.
Recorde e fôlego para mais objetivos
Logo no início deste ano o Palmeiras encerrou o maior jejum da era Abel ao conquistar o Paulistão, com vitória sobre o Novorizontino na decisão. O título isolou o português como maior campeão da história alviverde, com um troféu a mais que o lendário Osvaldo Brandão. Após o feito, o treinador deixou claro que sua fome de êxitos é insaciável.
“O Paulistão 2026 é a nossa 11ª conquista juntos e carrega, mais uma vez, a força de um projeto que acredita no trabalho e nas suas pessoas”, escreveu Abel nas redes sociais.
O maior sonho é continental
O Palmeiras volta a campo neste domingo (9) para enfrentar o Internacional, às 16h, no Nubank Parque, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com vantagem de oito pontos para o vice-líder Flamengo, o Verdão tentará ao menos manter a “gordura”. Porém, já tem em vista a primeira partida pelas oitavas de final da Libertadores, na quarta (12), contra o paraguaio Cerro Porteño.
Embora sustente liderança consistente no Brasileiro e exista a cobiça por levantar todos os troféus, a prioridade maior da temporada é voltar a ser campeão continental. Afinal, Abel faturou o bicampeonato seguido em 2020 e 2021, mas depois colecionou seguidas frustrações. A derrota para o Flamengo, na decisão do ano passado, só aumentou a gana por retornar ao topo internacional. Além disso, a presidente Leila Pereira ainda deseja sentir o sabor dessa conquista, um troféu que falta em sua gestão.
“Seria um grande título e que não tenho na minha gestão. Até dezembro de 2027 eu ficaria muito feliz se conseguirmos conquistar”, disse a dirigente em evento de homenagem ao zagueiro e capitão Gustavo Gómez, em maio.
Com elenco jovem, fechado e valorizado, o Palmeiras segue firme para atingir as metas esportivas em 2026 que apaguem a temporada passada. E, quem sabe, façam o que parecia inimaginável: tornar os anos Abel Ferreira ainda mais gloriosos.
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