Crise na Fifa: pressão de Uefa e Conmebol cresce, e Noruega pede renúncia de Infantino
Crédito: Hicham Rafih/AFP
A crise que ameaça a permanência de Gianni Infantino no comando da Fifa chegou à organização da Copa do Mundo de 2030. Espanha e Marrocos, que serão anfitriões do torneio ao lado de Portugal, travam uma disputa pela final enquanto enfrentam uma crise diplomática após a entrada em massa de migrantes em Ceuta.
Ainda assim, Marrocos está construindo o Grand Stade Hassan II, com a ideia de que seja o palco da decisão. O projeto prevê que a arena seja a maior do mundo, com 115 mil lugares.

Crise de Gianni Infantino evidencia disputa entre Espanha e Marrocos por final de 2030. Foto: Luis Acosta/AFP
O país também aparece como possível sede do Mundial de Clubes de 2029, em uma alternativa que poderia funcionar como compensação pela perda da final. O Brasil também é um dos possíveis candidatos para o torneio.
Segundo o El Confidencial, uma articulação em Madri pode levar a cidade a abrir mão de receber jogos da Copa caso a decisão não seja disputada no Santiago Bernabéu. Os personagens por trás disso seriam o prefeito José Luis Martínez-Almeida, a governadora Isabel Díaz Ayuso e o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez.
A recente crise em Ceuta colocou o futebol também em debate na geopolítica. Até mesmo a ideia de excluir Marrocos como sede do Mundial é sugerida por políticos espanhóis e portugueses.
“A Copa do Mundo de 2030 não pode ser compartilhada com um país que ameaça e utiliza gente desesperada para seus interesses geoestratégicos”, escreveu o deputado Nahuel González, do Sumar, partido espanhol de esquerda.

Crise migratória em Ceuta fez com que futebol fosse também uma pauta geopolítica. Foto: Anotnio Sempere/AFP
“O governo marroquino é maligno. O inimigo número um do mundo: Donald Trump. O inimigo número um do futebol: Gianni Infantino”, completou.
González sugeriu que o congresso espanhol envie à Fifa, à Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) e ao governo português “uma revisão e avaliação do atual modelo de organização conjunta para a Copa do Mundo de 2030”.
Em Portugal, a ideia também é repetida. “Diante do que aconteceu (crise em Ceuta), é necessária uma decisão corajosa: Portugal não pode ser cúmplice da co-organização do Mundial de 2030 com Marrocos”, disse Jorge Pinto, do partido português Livre.
Embate é alvo de críticas e representa um dos muitos conflitos entre os países
O embate atual foi condenado por Luis Rubiales, presidente da RFEF entre 2018 e 2023, quando a candidatura nasceu. Ele criticou Pedro Sánchez e Gianni Infantino, argumentando que a Espanha deveria desistir do Mundial se não tiver a final, após já ter cedido a abertura.
“Essa candidatura foi concebida em 2018. Desde o início, Fernando Gomes (presidente da Federação Portuguesa de Futebol) e eu sabíamos que os 55 votos da Uefa eram insuficientes e que teríamos de incluir Marrocos”, contou Rubiales ao Marca.
A candidatura original reunia apenas Espanha e Portugal, e Barcelona era cotada para receber a final. Segundo Rubiales, Marrocos deixou de ser considerado porque a Uefa indicou que apoiaria uma candidatura 100% europeia, o que se desenhava com Reino Unido e Irlanda. O país africano teria voltado após a confirmação do apoio europeu unânime.
“E explicamos a eles muito claramente como entrariam: sabendo que a Espanha sediaria o jogo de abertura, a final, uma semifinal e um ou dois jogos das quartas de final”, relatou Rubiales.
Entretanto, a Fifa definiu que as partidas de abertura seriam no Uruguai, na Argentina e no Paraguai, em homenagem ao centenário da Copa do Mundo. Com a possibilidade de o torneio ter 64 seleções, já se fala em os países sul-americanos receberem jogos de um grupo cada.
“Perder a partida de abertura é irreparável. E isso se deve à gestão de Infantino e à inestimável colaboração de alguém que não tinha informações, nenhum conhecimento, mas um grande desejo de holofotes, ou seja, o primeiro-ministro Pedro Sánchez”, disparou Rubiales.
Espanha e Marrocos têm uma relação marcada por disputas territoriais envolvendo Ceuta e Melilla, cidades espanholas no norte da África reivindicadas por Rabat. A questão migratória tornou-se outro foco recorrente de tensão entre os dois países.
No final de julho de 2026, cerca de 72 mil migrantes entraram em massa em Ceuta. Segundo o governo espanhol, aproximadamente 70 mil retornaram ao Marrocos. Quase 80 mortes foram registradas. Muitos se afogaram ao tentar contornar uma cerca no Mar Mediterrâneo. A crise diplomática afetou também a União Europeia.
No futebol, a consequência imediata foi o cancelamento de um amistoso do Barcelona que ocorreria em Tânger, no Marrocos. O clube justificou falando que “não existem as condições adequadas para a realização da partida”.









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