Os 10 terramotos mais mortíferos na América Latina – Observador


A América Latina ocupa uma das regiões tectónicas mais complexas do planeta e, devido a este fator, já foi atingida por alguns dos terramotos mais destrutivos do mundo, segundo a Reuters. Esta segunda-feira na Colômbia foi registado um sismo com magnitude de 7,4.

Em 2010, o Haiti foi atingido por um dos terramotos mais devastadores da história recente. O sismo teve uma magnitude de 7,0 e atingiu principalmente a região próxima da capital, Porto Príncipe, uma área densamente povoada. O desastre provocou uma enorme destruição e causou cerca de 316 mil mortos.

O número de vítimas é considerado o segundo maior num terramoto, superado pelo sismo da província de Shaanxi, na China, em 1556, cujo número de mortos é estimado em aproximadamente 830 mil.

Um dos motivos apontados para o elevado número de vítimas foi a fragilidade das infraestruturas. Muitos edifícios não foram construídos de acordo com padrões adequados de segurança sísmica. As práticas de construção precárias e a ausência de estruturas preparadas para suportar fortes tremores fizeram com que muitos edifícios desabassem durante o sismo. A falta de serviços de resposta foi outro dos fatores que contribuiu para o elevado número de mortes.

Em 1979, o Peru sofreu um terramoto submarino de magnitude 7,9, que desencadeou um dos deslizamentos de terras mais mortíferos da história, após desestabilizar a parede norte da montanha mais alta do Peru. A massa de gelo glacial e rocha ganhou velocidade e arrastou detritos em direção às cidades de Yungay e Ranrahirca, a velocidades de até 335 km/h.

O deslizamento de terras atingiu as cidades com quase 80 milhões de metros cúbicos de gelo e rochas, soterrando-as sob uma camada de até quatro metros de lama. Estima-se que 19 mil pessoas tenham morrido em Yungay, enquanto apenas 2.500 sobreviveram. Até 70% de outras cidades, como Chimbote e Huaraz, foram destruídas. Quase um milhão de pessoas ficou desalojada. No total, cerca de 67 mil pessoas morreram.

O terramoto da Guatemala de 1976 teve uma magnitude de 7,5 e provocou cerca de 23 mil mortos.

O sismo atingiu uma área densamente povoada, incluindo a capital, Cidade da Guatemala, às 3h00 da manhã. Provocou danos numa área de pelo menos 100 mil quilómetros quadrados. Casas de adobe foram destruídas e fortes réplicas causaram mortes adicionais. Quase 1,2 milhão de pessoas ficaram desalojadas e cerca de dois quintos dos hospitais do país foram destruídos.

O terramoto do Chile de 1939 teve uma magnitude de 8,3 e provocou cerca de 30 mil mortos.

O Chile é conhecido por ter registado o terramoto mais forte alguma vez medido — de magnitude 9,5, em 1960. No entanto, foi o terramoto de 1939, na cidade de Chillán, no sul do país, que se tornou o mais mortífero da história chilena.

Num livro que documenta os terramotos chilenos, a sismóloga Cinna Lomnitz afirmou que os materiais de construção frágeis, como o adobe, juntamente com uma alegada “ausência de projeto de engenharia ou de medidas contra forças laterais”, contribuíram para o elevado número de mortes.

O terramoto destruiu as cidades de Chillán e Concepción e levou à criação do primeiro código de construção antissísmica do Chile.

Um sismo de magnitude 7,7 atingiu o Equador e a Colômbia em 1868.

No dia anterior ao grande fenómeno, ocorreu um pequeno sismo, seguido, na manhã seguinte, por um forte tremor de terra de magnitude 7,7. Este conjunto de sismos destruiu várias cidades, deixando milhares de pessoas desalojadas. Alguns dados apontam para cerca de 40 mil mortes no Equador e 30 mil na Colômbia.

Num livro publicado naquele ano e dedicado ao desastre, uma comissão governamental escreveu que a cidade de Ibarra estava adormecida quando o terramoto atingiu a região, à 1h15 da manhã. O livro afirmava que “em menos de três segundos, Ibarra transformou-se num grande e sombrio cemitério. Quase toda a sua população foi soterrada sob os escombros dos seus próprios quartos”.

O terramoto de Arica, em 1868, com magnitude de 8,5, provocou cerca de 25 mil mortos. A cidade de Arica é atualmente do Chile, mas, então, pertencia ao Peru. O tremor de terra destruiu também as cidades de Arequipa, Moquegua, Mollendo e Ilo.

A força do sismo também provocou um tsunami que atingiu cidades portuárias peruanas e gerou ondas devastadoras até ao Hawai e à Nova Zelândia.

O terramoto de 1861, na Argentina, provocou cerca de 14 mil mortos.

O sismo ocorreu perto da meia-noite e destruiu a maioria dos edifícios, incluindo a Basílica de São Francisco, na cidade de Mendoza. Os numerosos candeeiros a gás da época contribuíram para a propagação de incêndios, que se alastraram pelos escombros e duraram vários dias, dando origem a saques e pilhagens generalizadas.

O banco de dados de terramotos significativos não fornece a magnitude do tremor, mas outros registos estimam que tenha atingido uma magnitude de 7,2.

Na Venezuela, em 1812, ocorreu um sismo de magnitude 7,7 que provocou a morte de cerca de 26 mil pessoas.

Uma análise realizada em 1962 sugere que este evento foi, na realidade, um conjunto de três terramotos desencadeados uns pelos outros e ocorridos em zonas geograficamente próximas. O sismo destruiu cerca de 90% de Caracas e causou milhares de mortes em Barquisimeto, Mérida, La Guaira e San Felipe.

O desastre ocorreu durante a guerra revolucionária da Venezuela contra Espanha. As autoridades espanholas descreveram o terramoto como um castigo divino contra os revolucionários. Os Estados Unidos enviaram alimentos e dinheiro para a Venezuela, num dos primeiros exemplos de ajuda externa ao país.

O terramoto registado no Equador em 1797 foi o mais forte desde que há registos na região. Com uma magnitude de 8,3, provocou deslizamentos de terras e causou uma destruição generalizada em várias zonas do país, incluindo Quito, Riobamba, Latacunga e Ambato.

Segundo historiadores e relatos de testemunhas registados, vários edifícios foram arrasados em poucos segundos.

O terramoto da Venezuela de 1797 não tem o registo de magnitude, mas causou cerca de 16 mil mortos.

O geógrafo e naturalista alemão Barão Alexander von Humboldt documentou este tremor de terra, que destruiu a cidade de Cumaná e a área circundante. Testemunhas relataram fortes ruídos subterrâneos e cheiro a enxofre antes do terramoto.

Num catálogo de terramotos publicado em 1855, foram descritas “chamas subindo da terra, seguidas por um ruído subterrâneo como borbulhas e, depois, por tremores” nas proximidades da baía de Cariaco.

Texto editado por Alexandra Machado





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