Alfredo Setubal, CEO e diretor de relações com investidores da Itaúsa, afirmou, nesta terça-feira (11), que a economia do país terá desaceleração significativa em 2027 e pode até registrar uma “pequena recessão.” Segundo ele, esse cenário vai se refletir em menor consumo das famílias, que já estão em nível elevado de endividamento, e em crescimento da inadimplência tanto no Itaú Unibanco quanto nas empresas investidas do setor não financeiro, num “ambiente pouco propício aos negócios.”
De acordo com Setubal, a Itaúsa está orientando as empresas em que tem participação a prever um orçamento mais moderado e cauteloso, e a fazer cenários de estresse, a fim de estarem preparadas “caso ocorra um desaquecimento mais forte ou uma situação política interna ou internacional que dê algum tranco no crescimento da economia brasileira.”
“Mesmo com incentivos de R$ 200 bilhões do governo federal, o consumo não está crescendo”, comentou ele, durante videoconferência de apresentação de resultados da Itaúsa no primeiro semestre. “Para 2027, o cenário é de economia bastante desacelerada e podemos ter uma pequena recessão.”
Tanto no Itaú Unibanco quanto entre os clientes das empresas industriais da holding, acrescentou ele, já há sinais de atrasos nos pagamentos. Mas fez questão de frisar que ciclos de deterioração de crédito sempre aconteceram e que o Itaú tem conseguido melhor desempenho do que os principais concorrentes.
Eleições e ambiente inflacionário
Neste ano, prosseguiu Setubal, as eleições são fator de insegurança adicional, mas destacou que, com o crescimento baixo, e consequente menor pressão do consumo, a inflação vem caindo, o que deve permitir ainda alguma redução de juros, apesar da pressão dos preços da energia.
Na noite desta segunda-feira (10), a Itaúsa informou lucro líquido recorrente de R$ 8,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior, com ROE recorrente de 19,3% (alta de 1,5 ponto percentual) no período. O resultado recorrente das empresas investidas aumentou 11,4%, para R$ 9,361 bilhões, dos quais R$ 8,851 bilhões vieram do Itaú Unibanco (avanço de 9,6%) e R$ 595 milhões do setor não financeiro (Dexco, Alpargatas, Motiva, Aegea Saneamento, Copa Energia e NTS, com avanço total de 31,7%).
O CEO da Itaúsa afirmou que a ideia é fazer o portfólio de empresas não financeiras cada vez mais relevante, mas admitiu que “é muito difícil fazer uma real e grande diversificação”, diante da força do Itaú Unibanco. “A Itaúsa tem quase 38% do Itaú Unibanco, a maior empresa privada brasileira, com um resultado muito forte e sólido, então nosso objetivo é manter a participação de resultados do banco [no balanço da holding] em torno de 85% a 90%.”
Segundo Setubal, a área de fusões e aquisições da Itaúsa está ativa, mas com pouco apetite para o setor do agronegócio: “O setor é carro-chefe do nosso PIB, representa 25%, mas eu confesso que a gente já teve mais disposição para entrar no agro. Estamos vendo o setor como um todo mais desafiador, com várias empresas apresentando resultados fracos.”
Na apresentação dos resultados, Priscila Grecco, CFO da Itaúsa, destacou o crescimento da dívida líquida de 99%, para R$ 1,184 bilhão em junho, puxado por capitalizações em empresas investidas e pela antecipação de dividendos no ano passado por causa da mudança na tributação.
A Itaúsa aportará um total de R$ 1,2 bilhão no aumento de capital de R$ 2,1 bilhões aprovado pela Aegea. O montante vai aumentar a participação da holding na empresa de 12,8% para 14%. Na Alpargatas, o investimento foi de R$ 97 milhões, o que elevou a participação de 29,4% para 30,6%, conforme as demonstrações financeiras exibidas na videoconferência.









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