Luanda/Uíge – Nelito Ekuikui, deputado da UNITA, maior força da oposição angolana, alega que a repressão policial não se limitou ao comício do partido do galo negro no sábado no Uíge. O dirigente da União nacional para a independência total de Angola acusa o governo nesta província do Norte do país de ter usado as forças de defesa e segurança para intimidar os militantes da UNITA, em ano pré eleitoral.
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Nelito Ekuiku, o secretário-geral da JURA, Juventude unida revolucionária de Angola, ala juvenil da UNITA [União nacional para a independência total de Angola], maior força política da oposição angolana, numa entrevista a Eva Massy, comentou os desacatos que a repressão policial da concentração do partido do galo negro provocou no fim de semana passado e que teriam provocado 31 feridos.
Uma concentração no Uíge, Norte do país, para comemorar nomeadamente a figura de Jonas Savimbi, o defunto fundador da UNITA, e que implicou também o 3° Acampamento nacional da JURA, Juventude unida revolucionária de Angola.
Nelito Ekuikui acusa o MPLA, [Movimento popular de libertação de Angola] partido no poder desde a independência em 1975, de ter perdido o apoio popular, usando as forças policiais para intimidar os militantes da oposição, quando o país deve ir às urnas em 2027.
Nós chegámos no dia 5 [de Agosto de 2026]. Encontrámos um ambiente muito tenso, a polícia toda em prontidão e houve reforço da Polícia de intervenção rápida.
No dia 6 [de Agosto de 2026], quando chega o presidente do partido [Adalberto da Costa Júnior], houve uma tentativa de barrar a caravana do presidente para que ele não passasse defronte ao governo provincial.
Ainda no dia 6, houve uma tentativa dos militantes do MPLA, a juventude do MPLA, de afixar bandeiras a dez metros da nossa sede.
Esta tentativa de provocação e buscar a alteração da ordem por via de militantes do MPLA não surtiu efeito.
O Governo, e eu prefiro acusar de forma directa e concreta, não satisfeito, usou as forças de ordem e segurança.
A partir do dia 7 [de Agosto de 2026] começaram a fechar as ruas.
Cercaram a sede. Ninguém podia entrar e ninguém podia sair.
O governo negou. Tínhamos o comício, negou os dois espaços que nós solicitámos. E queriam mandar-nos fora da cidade, decidimos realizá-lo na nossa sede.
É ali onde começa o conflito. Eles diziam que nós não podíamos realizar o acto na nossa sede.
Duas bombas de gás lacrimogéneo batem por cima do meu carro. Foram atirando para dispersar a multidão.
Encaro isso como um partido que perdeu o apoio do povo [o MPLA, partido no poder]. Está a usar as forças de ordem e segurança para fazer competição política.
Nós estamos num ano pré eleitoral. Tinha muita juventude vinda de todo o país. O que eles quiseram passar é uma mensagem para intimidar e frear o movimento da juventude. Portanto, para as pessoas terem medo.









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