Maior feira de transporte coletivo da América Latina, a Lat.Bus 2026 teve início nesta terça-feira (11), no pavilhão da São Paulo Expo, apontando caminhos para a mobilidade urbana e rodoviária em um momento em que o setor caminha cada vez mais para a eletrificação de frotas, combustíveis com menor emissão de CO₂ e uma busca por maior eficiência operacional.
O evento é palco para a apresentação de novidades das principais marcas, como a gaúcha Marcopolo, e de outras empresas, como Volvo, Mercedes-Benz e Scania. A expectativa é de que sejam movimentados cerca de R$ 5 bilhões durante o evento, que vai até quinta-feira (13).

A feira é voltada principalmente a empresários, dirigentes de operadoras, fabricantes, fornecedores e gestores públicos, mas, nos 45 mil metros quadrados — 15 mil a mais do que na edição de 2024 —, há atrações para o público em geral, principalmente para aqueles interessados em mobilidade e preocupados com os temas ambientais.
A Marcopolo ocupa a área central — e a maior — do pavilhão da São Paulo Expo, com um estande de cerca de 3 mil metros quadrados internos e outra área externa, de 2 mil metros quadrados. Nesta edição, a companhia apresenta novidades, como o G8 TEC (leia mais, abaixo), e os novos modelos da linha de transporte urbano Torino, estes últimos mantidos, nesta terça-feira (11), cobertos por uma longa cortina preta, sob sigilo, até a hora da apresentação em grande estilo.
Ouvir as “dores das garagens” para repaginar um clássico

Lançado originalmente em 1983 e com mais de 120 mil unidades vendidas desde então, o Torino é um dos produtos mais emblemáticos da Marcopolo. A nova versão foi produzida, segundo a empresa, ouvindo-se “as dores das garagens”, ou seja, os desafios dos operadores: as portas estão mais leves, há maior eficiência operacional e segurança para passageiros e motoristas, com eliminação de pontos cegos e melhor interface com o painel.
A “escuta ativa” é uma das características da empresa, segundo o diretor de Operações Comerciais, Mercado Interno e Marketing, Ricardo Portolan.
— Essa proximidade com os clientes permite entender quais são as suas necessidades. A presença global da empresa coloca a Marcopolo em posição de vantagem, por estar presente em países com diferentes realidades e tecnologias. Fazemos essa transferência de conhecimento — explica o executivo.
Entre os principais desafios dos operadores do transporte coletivo estão a renovação da frota — a necessidade de adquirir ônibus mais modernos e seguros, com menor custo operacional —, as questões financeiras (taxas de juros elevadas e crédito menos disponível), a redução do tempo de manutenção e a transição energética.
Por isso, a feira aposta na necessidade de combinar tradição com inovação. Os veículos e carregadores elétricos estão presentes em vários estandes, ao lado de infraestrutura de recarga, tecnologias de conectividade, telemetria, inteligência artificial, bilhetagem e gestão de dados em tempo real.
Em um país de realidades econômicas diversas e dimensões continentais, na área da transição energética, a Marcopolo apresenta opções de veículos 100% elétricos, híbridos e movidos a biodiesel.
Nesta edição, a empresa da Serra posiciona-se como um ecossistema de soluções em mobilidade. Por isso, está propondo vários debates ao longo do evento, como regulação de mercados, reforma tributária e sustentabilidade. Também serão discutidos o financiamento do transporte público, o novo marco legal do setor e os impactos de possíveis mudanças na escala de trabalho sobre as empresas de fretamento.
Outra novidade desta edição é a pronta entrega. A Marcopolo trouxe para São Paulo 20 ônibus para serem vendidos e levados na hora. Antes mesmo do início oficial da feira, três unidades já haviam sido vendidas.
G8 TEC: o ônibus que leva a tecnologia da aviação para as estradas

De fora, ao se observar o G8 TEC, o colosso da linha Paradiso da empresa gaúcha Marcopolo, apresentado na Lat.Bus 2026, fica fácil compará-lo a um avião — e, em se tratando do modelo, não é força de expressão. O veículo contou com a parceria do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) para a fabricação de um conjunto inédito de slats aerodinâmicos, que envolveu simulações computacionais e validações em túnel de vento, usadas na indústria aeronáutica. Uma espécie de aerofólio, o equipamento, inspirado na aviação, propicia uma aerodinâmica que reduz em até 3,5% o consumo de combustível. Na parte externa, outra novidade é a eliminação dos braços que serviam de suporte para os espelhos. Os retrovisores são compostos por câmeras ERV (Espelho de Reflexão Virtual), fixadas diretamente na lateral do veículo, que ampliam significativamente o campo de visão, reduzem pontos cegos e garantem visualização clara mesmo com chuva, neblina ou baixa luminosidade.
Mas é internamente que o veículo impressiona — e, nesse caso, dado o desconforto da maioria dos aviões comerciais atuais, a comparação é inviável. O ônibus da Marcopolo é um convite a se viajar por terra, por longas distâncias.
Com dois andares, o G8 TEC é uma espécie de vitrine do que a companhia tem de mais inovador: uma cabine exclusiva, com direito a poltrona de design italiano, kit multimídia de entretenimento individual e porta, que mantém o passageiro completamente isolado dos demais; há sala de estar, equipamento para venda de snacks e até uma chopeira. Cada veículo pode ser customizado de acordo com o gosto — e o bolso — dos compradores. Além disso, utiliza cerca de 3 mil garrafas PET pós-consumo em diferentes componentes, com destaque para os tecidos das poltronas e os revestimentos internos.

Conforme o CEO da Marcopolo, André Armaganijan, cada vez mais tecnologia é empregada para reduzir o “coeficiente de arrasto”, utilizado na engenharia para medir a resistência que um objeto sofre ao se mover ou ao ser atingido por um fluido, como o ar ou a água.
— A empresa está cada vez mais empenhada em trazer inovação a seus produtos: mais tecnologia e eficiência, com redução do custo de operação para o operador. Entendemos o momento atual e sabemos que precisamos entregar um produto mais competitivo e confortável, valorizar o motorista e encantar o passageiro — afirma André.
Com foco na tecnologia embarcada para prevenção e segurança, o ônibus utiliza inteligência artificial (IA) para emitir alertas em caso de sinais de fadiga, sonolência e comportamentos de risco do motorista. Ao detectar situações potencialmente perigosas — como o uso do celular ou o desvio prolongado do olhar da via —, o sistema emite alertas visuais e sonoros em tempo real, contribuindo para a redução de riscos e o aumento da segurança operacional.
* Rodrigo Lopes viajou a São Paulo a convite da Marcopolo.









Leave a Reply