O Brasil sediará pela terceira vez uma Copa do Mundo Fifa de Futebol, agora na categoria feminina. O torneio acontecerá no próximo ano, entre 24 de junho e 25 de julho, e quem a essa altura não está maluco de ansiedade é porque ainda não se deu conta do tamanho do evento. Longe de qualquer ufanismo, pois não estou aqui querendo comparar uma Copa Feminina ao maior evento esportivo do planeta que é uma Copa do Mundo no futebol masculino, em todos os sentidos, de cotas de publicidade a visibilidade, mas é fato que esta edição servirá para elevar o esporte a um novo patamar, e diversas entidades estão trabalhando para que, na medida do alcançável, seja um sucesso.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em decisão muito acertada, anunciou que o calendário brasileiro enfrentará uma pausa durante o evento. O anúncio gerou indignação de milhares de usuários nas redes sociais digitais por englobar não só o futebol feminino no Brasil, mas também o masculino. Os argumentos para que ambos os gêneros parem durante a realização do maior evento da temporada são muitos, mas o principal é estrutural. Mesmo que a Série A do Brasileirão não tenha nada a ver com futebol feminino, os clubes são afetados assim que as seleções chegam e se instalam nas cidades-sedes. Estrutura, logística e centros de treinamentos são cedidos para as atletas que vêm de outros países. Ademais, os próprios estádios são ocupados pelo evento. Assim, Internacional, Flamengo, Fluminense, Corinthians e Bahia teriam que mandar seus jogos em estádios alternativos, visto que os locais onde costumam entrar em campo como mandantes estarão todos destinados à Copa Feminina. Seria um grave prejuízo financeiro, incômodo à torcida e ainda risco de perda também no âmbito esportivo.
Com a pausa imposta, naturalmente o evento terá maior visibilidade. Nas redes sociais, diversos comentários proferidos por quem torce contra o evento somente por tratar-se de futebol jogado por mulheres prenunciam que a audiência será baixa. Obviamente será menor que aquela registrada na Copa de 2026, mas a competição tem seus atrativos, e aposto que qualquer pessoa que gosta de futebol e não costuma acompanhar o futebol feminino terá uma grata surpresa. É provável até que tenhamos jogos de nível semelhante aos praticados pelos homens. Não estamos falando de clubes pequenos, mas das seleções, ou seja, são as melhores atletas do mundo reunidas aqui. É a elite do futebol. E de um futebol menos travado, menos violento, muito mais fluido.
Se assistir pela TV já garante a diversão, melhor ainda será para quem tiver a oportunidade de ir aos estádios. Serão oito sedes: Belo Horizonte (Estádio Mineirão), Brasília (Estádio Nacional), Fortaleza (Arena Castelão), Porto Alegre (Estádio Beira-Rio), Recife (Arena de Pernambuco), Río de Janeiro (Estádio do Maracanã), Salvador (Arena Fonte Nova) e São Paulo (Arena Itaquera). Outra diferença em relação ao masculino será a concorrência menor para compra dos ingressos.
Das 32 seleções que participarão do evento, 18 estão classificadas. São elas, conforme o site da FIFA: Brasil (anfitriã); Austrália, Filipinas, Japão, RPD da Coreia, RP da China e República da Coreia pela AFC; Camarões, Malawi, Argélia e Marrocos pela CAF; Argentina e Colômbia pela Conmebol; Nova Zelândia pela OFC; Alemanha, França, Dinamarca e Espanha pela UEFA.
Confesso que estou muito animado. Quero ir aos estádios, torcer por desconhecidas, abraçar torcedores gringos cantando junto com eles, trocar camisas, colecionar histórias e levar minhas crianças — principalmente as meninas, pois representatividade importa muito — e minha esposa, que jogou nas categorias de base do Corinthians, para essa grande festa do futebol.
Texto publicado originalmente na edição de 14.08.2026 do jornal A União.











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